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OMM registra novo recorde de gases de efeito estufa, com o CO2 a 426,8 ppm em 2025, ou 153% do nível pré-industrial

O dióxido de carbono subiu 2,8 ppm em um ano, acima da média da década; o metano chegou a 1.948 ppb e o hexafluoreto de enxofre, 24.300 vezes mais potente que o CO2, teve o maior aumento já medido

Por Redação RecortNews
A sede da Organização Meteorológica Mundial, em Genebra, na Suíça, em 2014.
A sede da Organização Meteorológica Mundial, em Genebra, na Suíça, em 2014.Foto: Handelsgeselschaft/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

As concentrações atmosféricas dos três principais gases de efeito estufa bateram recorde em 2025, segundo o Boletim de Gases de Efeito Estufa divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). A média anual de dióxido de carbono chegou a 426,8 partes por milhão (ppm) — 153% do nível de 1750, tomado como referência pré-industrial.

O número é a média de medições em 179 estações de monitoramento espalhadas pelo mundo. Quando o boletim foi publicado pela primeira vez, em 2004, a média anual era de 377,5 ppm.

Os números de 2025

  • Dióxido de carbono (CO2): 426,8 ppm, ou 153% do nível pré-industrial
  • Metano (CH4): 1.948 partes por bilhão (ppb), ou 267% do nível pré-industrial
  • Óxido nitroso (N2O): 339,1 ppb, ou 126% do nível pré-industrial

O CO2 subiu 2,8 ppm de 2024 para 2025. É um avanço acima da média da década, embora um pouco menor que o salto registrado entre 2023 e 2024. A taxa de crescimento do gás triplicou desde os anos 1960: saiu de cerca de 0,8 ppm por ano para 2,4 ppm por ano na média de 2011 a 2020.

Repartido por gás, o aquecimento acumulado desde o período pré-industrial vem 66% do CO2, 16% do metano, 8% dos CFCs, 6% do óxido nitroso e 2% cada dos HCFCs e dos HFCs. As fontes de metano são cerca de 35% naturais — pântanos, principalmente — e 65% humanas, entre pecuária, cultivo de arroz, combustíveis fósseis, aterros e queima de biomassa.

Com base em dados da agência americana NOAA, a OMM calcula que o forçamento radiativo dos gases de efeito estufa de longa duração — a medida de quanto calor eles retêm — cresceu 56% entre 1990 e 2025, e que o CO2 responde por cerca de 81% desse aumento.

O gás que ninguém vê e dura mil anos

O boletim registra que o hexafluoreto de enxofre (SF6) teve em 2025 o maior aumento anual já medido. O gás é usado sobretudo em equipamentos de distribuição de eletricidade, permanece mais de mil anos na atmosfera e tem potencial de aquecimento global, em cem anos, cerca de 24.300 vezes maior que o do CO2. É um volume pequeno com efeito desproporcional — e que cresce junto com a expansão das redes elétricas.

A concentração de hidrogênio (H2), por sua vez, subiu 5,3% entre 2010 e 2024. O hidrogênio não é um gás de efeito estufa, mas provoca aquecimento indireto ao alterar a química da atmosfera, e o vazamento em sistemas de energia é apontado pela OMM como preocupação crescente.

O que vem em 2026

"Os gases de efeito estufa estão retendo um calor recorde", disse Ko Barrett, vice-secretária-geral da OMM, lembrando que o CO2 já emitido vai afetar o clima por décadas e séculos.

Oksana Tarasova, oficial científica sênior da organização, atribuiu o crescimento mais lento entre 2024 e 2025 à recuperação dos sumidouros terrestres de carbono e à queda nas emissões de incêndios depois do El Niño de 2023 e 2024. Ela alertou, no entanto, que as concentrações devem subir mais em 2026, pela queima de combustíveis fósseis e por um novo El Niño em formação, e que há risco crescente de perda de capacidade dos oceanos de absorver CO2.

O boletim é publicado para informar os negociadores da COP31, a conferência do clima da ONU, marcada para Antalya, na Turquia, entre 9 e 20 de novembro.

Com informações da Organização Meteorológica Mundial, Phys.org e Down To Earth.