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Política

Pedido de vista de Dino adia decisão do STF sobre investigar Moraes

Plenário estava 4 a 3 contra unir os casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça quando o ministro pediu mais tempo; prazo regimental de até 90 dias empurra o tema para depois das eleições

Por Redação RecortNews
Sessão plenária do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, em 12 de fevereiro de 2026
Sessão plenária do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, em 12 de fevereiro de 2026Foto: Rosinei Coutinho/STF, via Wikimedia Commons

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou sem conclusão a sessão extraordinária em que discutia se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado por suas conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O ministro Flávio Dino pediu vista — mais tempo para analisar o processo — e suspendeu o julgamento. Pelo regimento, o prazo para devolver os autos é de até 90 dias, o que pode levar a retomada para meados de dezembro, depois das eleições.

A sessão, realizada na terça-feira (15), foi marcada por discussões ásperas entre os ministros e se estendeu pela semana como o principal foco de tensão na Corte.

O que estava em votação

O plenário ainda não chegou ao mérito — isto é, se Moraes será ou não investigado. A discussão era preliminar: se o caso dele deveria ser julgado em conjunto com outro, envolvendo o ministro André Mendonça.

O pedido de apuração sobre Moraes parte de mensagens encontradas no celular de Vorcaro e de relatórios da Polícia Federal no caso Master. A imprensa noticiou ainda um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório de advocacia da mulher de Moraes. O ministro nega irregularidades e atribui a ofensiva a motivação política. Moraes, por sua vez, acusa Mendonça de interferir em operações da Polícia Federal e de abuso de autoridade.

Como estava o placar

Uma proposta de Gilmar Mendes para unir os dois casos estava sendo derrotada por 4 a 3:

  • Contra unir os casos: Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia
  • A favor: Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes
  • Não votaram: Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, que se declararam impedidos ou suspeitos

Dino chegou a se manifestar a favor do julgamento conjunto, mas, ao pedir vista, recuou e disse que apresentará sua posição "no momento oportuno", segundo a CartaCapital.

Próximos passos

Com a vista, a questão preliminar fica parada. A Corte ainda previa analisar o caso de Mendonça em 23 de setembro, mas não está claro se esse calendário será mantido. A abertura de uma investigação contra um ministro no exercício do cargo não tem precedente na história do tribunal.

Com informações de Gazeta do Povo, Metrópoles, CartaCapital e O Tempo.