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Brasil

PF e CGU miram R$ 17 milhões em compras de saúde de 31 municípios e cumprem 44 mandados

Operação Legado apura 56 licitações e contratações diretas em cinco estados e no Distrito Federal; a Justiça Federal bloqueou até R$ 3,4 milhões em bens.

Por Redação RecortNews
Agentes da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União durante operação na prefeitura e na Secretaria Municipal de Saúde de Porangatu (GO), em 2023. A foto é de arquivo e não retrata a Operação Legado.
Agentes da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União durante operação na prefeitura e na Secretaria Municipal de Saúde de Porangatu (GO), em 2023. A foto é de arquivo e não retrata a Operação Legado.Foto: Controladoria-Geral da União/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram na quinta-feira (24) a Operação Legado, que apura fraude em licitações e contratações diretas custeadas com recursos federais — a maior parte delas na área da saúde.

Foram cumpridos 44 mandados de busca e apreensão em 22 municípios da Bahia, do Piauí, do Espírito Santo, de Minas Gerais, de Sergipe e do Distrito Federal. A Justiça Federal também determinou 13 medidas patrimoniais, com bloqueio de bens de até R$ 3,4 milhões. Os mandados foram expedidos no âmbito do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

O tamanho do que está sob suspeita

A investigação examina 56 procedimentos de compra em 31 municípios, que somam cerca de R$ 17 milhões em contratos. O recorte é relevante: o número de cidades sob análise é maior que o de cidades onde houve busca, o que indica que a apuração documental avançou além do alcance dos mandados desta fase.

Segundo a PF, os indícios reunidos até aqui apontam para:

  • atuação combinada entre empresas e simulação de concorrência;
  • direcionamento de contratos;
  • sobrepreço;
  • faturamento de produtos não entregues;
  • fornecimento de equipamento usado como se fosse novo.

Os investigadores também identificaram movimentações financeiras atípicas e possíveis pagamentos indevidos a agentes públicos.

Quem é investigado

São alvos empresários e servidores e ex-servidores de administrações municipais. Eles são investigados pelos crimes de organização criminosa, fraude em licitação e contrato público, falsidade documental, peculato e corrupção ativa e passiva.

A PF não divulgou nomes, e nenhum dos investigados foi denunciado até agora — a fase é de coleta de provas. Vale o registro de que busca e apreensão não implica culpa: o material apreendido é justamente o que dirá se a denúncia se sustenta.

Por que a saúde municipal

Compras de saúde concentram uma combinação que costuma atrair fraude: volume alto, itens de especificação técnica difícil de conferir — equipamentos, insumos, serviços — e prefeituras pequenas com estrutura de controle enxuta. A presença da CGU na operação é o que liga o dinheiro federal repassado ao gasto municipal, e é por esse caminho que o caso vai parar na Justiça Federal, e não na estadual.

Com informações da Polícia Federal (gov.br) e da Agência Brasil/EBC.