A médica Denise Pires de Carvalho, 61, presidenta da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), foi escolhida pela Unesco para a subdireção-geral de Ciências da organização. O anúncio foi feito nesta terça-feira (29). É a primeira vez que um brasileiro — e, no caso, uma brasileira — ocupa uma direção setorial da agência da ONU para a educação, a ciência e a cultura desde que ela foi criada, em 1945.
A subdireção-geral de Ciências é o posto que responde pelas áreas de ciências exatas e naturais dentro da Unesco: programas de água, oceanos, ecossistemas e cooperação científica internacional estão sob esse guarda-chuva. Até agora, nenhum brasileiro havia chegado a esse nível na estrutura da organização, em nenhum dos setores.
Quem é
Denise Pires de Carvalho se formou em medicina e fez mestrado e doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde é professora titular do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho. Em 2019 tornou-se a primeira mulher a ocupar a reitoria da UFRJ, universidade fundada em 1920.
Deixou a reitoria em 2023 para assumir a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação e, em fevereiro de 2024, passou a presidir a Capes — a fundação que avalia a pós-graduação brasileira e financia a maior parte das bolsas de mestrado e doutorado no país.
Na comunicação sobre a escolha, a Unesco destacou a experiência dela em liderança de pesquisa, avaliação de programas e cooperação científica internacional, além do trabalho ligado a acesso equitativo, igualdade de gênero e governança institucional inclusiva.
"Quem nega a ciência, nega o desenvolvimento da nação"
A frase é dela, e resume a linha que vem defendendo em cargos públicos: a de que a ciência responde a perguntas da sociedade e que o cientista não deve se isolar dela.
A escolha teve apoio do governo brasileiro, com articulação dos ministérios da Educação e das Relações Exteriores, segundo o Correio Braziliense. Nem a data de posse nem a sucessão na Capes foram anunciadas.
Por que importa
O cargo tem peso prático: a subdireção de Ciências ajuda a definir prioridades de programas que o Brasil usa — monitoramento de recursos hídricos, reservas da biosfera, cooperação em pesquisa oceânica. Um brasileiro no posto muda quem está na sala quando essas prioridades são discutidas, num ano em que o país também sedia discussões sobre clima e Amazônia.
O limite é igualmente claro: a Unesco não financia pesquisa na escala de agências nacionais, e o orçamento da organização vem encolhendo desde a saída de grandes contribuintes. O cargo dá influência sobre a agenda, não sobre o caixa.
Com informações da Agência Brasil e do Correio Braziliense.




