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Brasil

Presidenta da Capes será a primeira brasileira a dirigir a área de Ciências da Unesco

Médica e ex-reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, 61, assume a subdireção-geral de Ciências — cargo que nenhum brasileiro ocupou desde a fundação da agência da ONU, em 1945

Por Redação RecortNews
Denise Pires de Carvalho em retrato oficial de 2023, quando era secretária de Educação Superior do Ministério da Educação.
Denise Pires de Carvalho em retrato oficial de 2023, quando era secretária de Educação Superior do Ministério da Educação.Foto: Luis Fortes/MEC/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

A médica Denise Pires de Carvalho, 61, presidenta da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), foi escolhida pela Unesco para a subdireção-geral de Ciências da organização. O anúncio foi feito nesta terça-feira (29). É a primeira vez que um brasileiro — e, no caso, uma brasileira — ocupa uma direção setorial da agência da ONU para a educação, a ciência e a cultura desde que ela foi criada, em 1945.

A subdireção-geral de Ciências é o posto que responde pelas áreas de ciências exatas e naturais dentro da Unesco: programas de água, oceanos, ecossistemas e cooperação científica internacional estão sob esse guarda-chuva. Até agora, nenhum brasileiro havia chegado a esse nível na estrutura da organização, em nenhum dos setores.

Quem é

Denise Pires de Carvalho se formou em medicina e fez mestrado e doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde é professora titular do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho. Em 2019 tornou-se a primeira mulher a ocupar a reitoria da UFRJ, universidade fundada em 1920.

Deixou a reitoria em 2023 para assumir a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação e, em fevereiro de 2024, passou a presidir a Capes — a fundação que avalia a pós-graduação brasileira e financia a maior parte das bolsas de mestrado e doutorado no país.

Na comunicação sobre a escolha, a Unesco destacou a experiência dela em liderança de pesquisa, avaliação de programas e cooperação científica internacional, além do trabalho ligado a acesso equitativo, igualdade de gênero e governança institucional inclusiva.

"Quem nega a ciência, nega o desenvolvimento da nação"

A frase é dela, e resume a linha que vem defendendo em cargos públicos: a de que a ciência responde a perguntas da sociedade e que o cientista não deve se isolar dela.

A escolha teve apoio do governo brasileiro, com articulação dos ministérios da Educação e das Relações Exteriores, segundo o Correio Braziliense. Nem a data de posse nem a sucessão na Capes foram anunciadas.

Por que importa

O cargo tem peso prático: a subdireção de Ciências ajuda a definir prioridades de programas que o Brasil usa — monitoramento de recursos hídricos, reservas da biosfera, cooperação em pesquisa oceânica. Um brasileiro no posto muda quem está na sala quando essas prioridades são discutidas, num ano em que o país também sedia discussões sobre clima e Amazônia.

O limite é igualmente claro: a Unesco não financia pesquisa na escala de agências nacionais, e o orçamento da organização vem encolhendo desde a saída de grandes contribuintes. O cargo dá influência sobre a agenda, não sobre o caixa.

Com informações da Agência Brasil e do Correio Braziliense.