A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou em 13 de outubro uma carteira de investimento público e misto de 8,4 trilhões de pesos (MXN) em infraestrutura para os próximos quatro anos. O anúncio foi feito na celebração dos 50 anos do Consejo Coordinador Empresarial (CCE, principal entidade empresarial mexicana), diante de dirigentes do setor privado.
"Não é por nada, mas nunca antes visto em um sexênio", disse a presidente sobre o valor. Sheinbaum ressalvou que a cifra não inclui o investimento privado que seu governo busca atrair com incentivos e com a agilização de licenças: "Isso sem contar todo o investimento privado que vocês têm".
Onde o dinheiro iria
Os valores informados por projeto, em pesos mexicanos:
| Destino | Valor |
|---|---|
| Viviendas para el Bienestar (programa de moradia) | 3 trilhões |
| Plano estratégico da Pemex | 2 trilhões |
| Geração elétrica | 794,109 bilhões |
| Trens de passageiros, carga do Tren Maya e Tren Interoceánico | 886 bilhões |
| Malha rodoviária | 700 bilhões |
| Projetos estratégicos de água | 180 bilhões |
| Rede de gasodutos | 140,905 bilhões |
A moradia é a maior rubrica isolada: 3 trilhões de pesos para 12 milhões de ações de habitação em quatro anos, com participação de incorporadoras privadas. A carteira inclui ainda portos, petroquímica, fertilizantes e um supercomputador. As dotações da Pemex e da geração elétrica seriam executadas sob esquemas públicos e mistos, sem que o governo tenha detalhado qual parcela corresponde a recursos públicos e qual a capital privado.
O contexto: tarifas e desaceleração
O anúncio chega com a economia mexicana crescendo a taxas baixas. O FMI, no relatório que divulgou em 13 de outubro, projeta que o México cresça 1,5% em 2026 — revisão de 0,3 ponto para cima, sustentada pelas exportações — e 1,8% em 2027. O governo apresenta a carteira de infraestrutura e moradia como forma de compensar a desaceleração associada às tarifas dos Estados Unidos.
Regularização fiscal na Lei de Receitas
Sheinbaum anunciou também que a Ley de Ingresos (lei anual de receitas do México) incluirá, para o próximo exercício, um programa de regularização fiscal: os contribuintes poderão pagar débitos sem multas nem juros de mora, sem limite de valor. "No ano que vem pode-se pagar sem nenhuma multa, sem nenhum juro de mora. A qualquer valor", afirmou. A presidente também se comprometeu a reduzir o déficit público "de maneira responsável".
No mesmo evento, destacou o trabalho do secretário de Economia, Marcelo Ebrard, no diálogo com o setor privado, e o papel do embaixador dos Estados Unidos no México, Ronald Johnson, nas negociações bilaterais.
Com informações de Expansión e La Razón de México.




