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Telescópio Euclid, da agência espacial europeia, descobre seu primeiro cometa, a 1,3 bilhão de km da Terra

O C/2026 S1 (Euclid) apareceu como um risco em 16 das imagens feitas entre 16 e 24 de setembro e foi confirmado pelo Minor Planet Center em 8 de outubro

Por Redação RecortNews
O telescópio espacial Euclid em sala limpa, sendo acoplado ao adaptador do foguete que o levou ao espaço, em junho de 2023.
O telescópio espacial Euclid em sala limpa, sendo acoplado ao adaptador do foguete que o levou ao espaço, em junho de 2023.Foto: NASA Jet Propulsion Laboratory/Wikimedia Commons, domínio público

O telescópio espacial Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA), descobriu seu primeiro cometa desconhecido até agora. Batizado de C/2026 S1 (Euclid), o corpo foi confirmado em 8 de outubro pelo Minor Planet Center da União Astronômica Internacional (UAI), depois de observações de acompanhamento feitas por telescópios em terra. A agência divulgou o caso em 19 de outubro.

O cometa estava, no momento da detecção, a cerca de 1,3 bilhão de quilômetros da Terra — grosso modo a distância que separa o Sol de um ponto entre as órbitas de Júpiter e Saturno. É um cometa de período longo: sua volta completa ao redor do Sol leva milhares de anos, e o cálculo exato da órbita vai sendo refinado conforme chegam novos dados.

Um risco atravessando 16 imagens

A descoberta saiu de imagens captadas entre 16 e 24 de setembro no Campo Profundo Norte do Euclid, uma região na constelação do Dragão. Foram cinco campos de visão, com duas a quatro exposições em cada, 16 no total.

O responsável foi Mikko Pöntinen, doutorando da Universidade de Helsinque que integra o grupo de trabalho de objetos do Sistema Solar do Consórcio Euclid. Ele rodou nas imagens um programa de detecção de objetos em movimento que ele mesmo escreveu.

"Fiquei animado ao ver meu programa sinalizar um 'risco' espalhado por várias imagens", disse Pöntinen, em comunicado da ESA. A partir desse rastro, ele previu onde o objeto deveria aparecer nos outros conjuntos de imagens e o encontrou. A nuvem difusa ao redor do ponto brilhante indicou um cometa ativo, soltando poeira e gás. A comparação com os catálogos de cometas e asteroides conhecidos não encontrou correspondência.

Por que o Euclid quase não acha cometas

A missão do Euclid, lançado em julho de 2023, não é vigiar o Sistema Solar. Ao longo de seis anos, o telescópio deve observar bilhões de galáxias a até 10 bilhões de anos-luz de distância para montar o maior mapa tridimensional do Universo e medir o efeito da matéria escura e da energia escura na expansão cósmica.

Para isso, o telescópio evita justamente o plano em que orbitam os planetas — onde há mais poeira e, portanto, mais brilho espalhado atrapalhando as imagens. É também onde está a maior parte dos cometas. Esse cometa específico só foi visto porque sua órbita se inclina muito em relação ao plano dos planetas e passou por um dos campos observados.

"Espera-se que muito poucos cometas sejam descobertos pelo Euclid", afirmou Bruno Altieri, cientista do arquivo do Euclid e integrante da equipe da descoberta. Há ainda um detalhe operacional: a estratégia de observação do telescópio é visitar cada pedaço do céu uma única vez, o que impede voltar ao objeto sob demanda.

Segundo Altieri, o C/2026 S1 não é um alvo adequado para o Comet Interceptor, a sonda da ESA projetada para interceptar um cometa ainda não identificado, mas o alerta serviu como teste de como as duas equipes coordenariam uma oportunidade real. "Estamos, claro, felizes por ter descoberto um cometa até agora desconhecido", disse Valeria Pettorino, cientista do projeto Euclid.

O Consórcio Euclid reúne mais de 2.000 cientistas de cerca de 300 institutos. O telescópio foi construído e é operado pela ESA, com contribuições da Nasa.

Com informações da Agência Espacial Europeia e do Universe Today.