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Brasil

Três ministros vão a Mato Grosso do Sul apurar ataques a Guarani e Kaiowá, com cinco mortes sob investigação desde 24 de outubro

Comitiva federal esteve em Dourados e nas aldeias Taquaperi e Sassoró; a Apib relata mais de 30 agressões desde o segundo turno, e o MPF investiga um áudio com ameaça de envenenar a água

Por Redação RecortNews
Lideranças Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul em reunião com o presidente Lula, em Brasília, em agosto de 2024.
Lideranças Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul em reunião com o presidente Lula, em Brasília, em agosto de 2024.Foto: Ricardo Stuckert/PR, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

Uma comitiva com três ministros do governo federal esteve em Mato Grosso do Sul neste sábado, 31 de outubro, para apurar ataques e ameaças contra comunidades Guarani e Kaiowá registrados depois do segundo turno da eleição presidencial.

Foram ao estado Eloy Terena, ministro dos Povos Indígenas, Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública, e Janine Mello, ministra dos Direitos Humanos e Cidadania. O grupo se reuniu em Dourados e seguiu para as aldeias Taquaperi, em Coronel Sapucaia, e Sassoró, em Tacuru. Também integraram a missão a secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Fernando Oliveira, e representantes da Polícia Federal, da Força Nacional e das polícias Civil e Militar do estado.

"Vamos agora para a primeira comunidade indígena, Taquaperi", disse Terena ao desembarcar, segundo o JD1 Notícias.

Os números

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) contabiliza cinco mortes de indígenas sob investigação no estado desde 24 de outubro. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) relata mais de 30 casos de agressão com motivação política desde o segundo turno, realizado em 25 de outubro.

Os casos

Em Coronel Sapucaia, há a suspeita de atropelamento deliberado de um indígena. Em Tacuru, circulou um áudio atribuído a um servidor municipal com ameaça de envenenar a água usada pelas comunidades, acompanhada de comentários racistas sobre o resultado da eleição; o prefeito Rogério Torquetti (PSDB) afastou o funcionário. Parte dos moradores, que dependem de caminhões-pipa, parou de beber a água por medo de contaminação, segundo a Apib. Em outro episódio, um incêndio criminoso destruiu a casa e os objetos sagrados de uma rezadeira de 90 anos.

O que foi acionado

O governo federal montou uma força-tarefa para acompanhar os casos, identificar responsáveis e proteger as comunidades. A Força Nacional já atua em territórios indígenas do estado, e a Polícia Federal recebeu denúncias e abriu inquéritos.

A Funai mantém contato com lideranças e com o Ministério Público Federal, que instaurou investigação e pediu esclarecimentos à prefeitura de Tacuru sobre o áudio e sobre as medidas de proteção aos moradores. O Ministério da Justiça solicitou às corregedorias das polícias dos estados e do Distrito Federal informações sobre registros de violência política.

Denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, que funciona 24 horas, pela plataforma Fala.BR e pela ouvidoria do Ministério dos Povos Indígenas.

Com informações do JD1 Notícias, do Plantão Brasil e do Brasil 247.