O que o tribunal decidiu
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) interrompeu na segunda-feira (21) o julgamento do dissídio coletivo da greve dos Correios e marcou a retomada para quinta-feira (24), às 15h30.
Os ministros acolheram uma questão de ordem apresentada pelo presidente da Corte, ministro Vieira de Mello Filho, que abriu prazo de 48 horas para os sindicatos se manifestarem sobre documentos juntados ao processo na noite de sexta-feira e no sábado. Esses documentos pedem que o tribunal declare a abusividade da paralisação.
Ao justificar o adiamento, o presidente do TST afirmou que julgar naquele momento significaria decidir com base em peças que a outra parte não examinou. Segundo ele, "não houve contraditório sobre os documentos", e seguir adiante desrespeitaria o devido processo legal.
O plano de saúde é o nó
A greve começou em 10 de setembro, por tempo indeterminado, depois que a negociação salarial deste ano terminou sem acordo. O ponto central da disputa, porém, não é o reajuste.
A estatal quer deixar de ser mantenedora do plano de saúde e passar a figurar como patrocinadora — mudança que desloca parte do custo e do risco operacional para os empregados e pode resultar em descontos maiores na folha. Dirigentes do Sintect-SP e da Findect afirmam que a categoria aceitaria outras propostas da empresa, mas não essa.
Contas no vermelho
A tentativa de reestruturar o benefício chega num momento de aperto financeiro severo. Os Correios fecharam o segundo trimestre de 2026 com prejuízo de R$ 2,4 bilhões.
Em dezembro de 2025, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões e, desde então, pediu ao Tesouro Nacional uma garantia de R$ 7 bilhões para destravar novas linhas de crédito com bancos privados. É esse quadro que a estatal invoca ao defender a mudança — e é contra ele que os sindicatos argumentam que o ajuste não pode recair sobre a saúde dos trabalhadores.
Entrega mantida por ordem judicial
Na semana passada, o próprio TST determinou a manutenção de 80% do efetivo em cada unidade durante a paralisação, por entender que o serviço postal é essencial e que sua interrupção poderia afetar as eleições deste ano. A empresa acionou o plano de continuidade de negócios para garantir as entregas.
Até que o julgamento seja retomado, na quinta-feira, a greve segue em vigor — nesta terça-feira (22), são 12 dias de paralisação.
Com informações da Agência Brasil e do ND Mais.




