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UE cria missão de apoio no Líbano com mandato de três anos, a 80 dias do fim da Unifil

A EUSM Lebanon vai treinar o Exército e as forças de segurança interna em dois pilares, mas ainda depende de uma segunda decisão do Conselho para ser lançada

Por Redação RecortNews
Retrato oficial de Kaja Kallas, alta representante da União Europeia para Assuntos Externos e Política de Segurança, feito em novembro de 2024.
Retrato oficial de Kaja Kallas, alta representante da União Europeia para Assuntos Externos e Política de Segurança, feito em novembro de 2024.Foto: Aurore Martignoni / European Union/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

O Conselho da União Europeia adotou nesta segunda-feira (12) a decisão que estabelece a Missão de Apoio da União Europeia no Líbano (EUSM Lebanon, na sigla em inglês), no âmbito da Política Comum de Segurança e Defesa (PCSD). O mandato inicial é de três anos, e a criação atende a um convite das autoridades libanesas.

A decisão chega a 80 dias do fim do mandato da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil), que expira em 31 de dezembro de 2026 e deve ser seguido por uma retirada em fases ao longo do ano seguinte. A alta representante da União Europeia para Assuntos Externos e Política de Segurança, Kaja Kallas, disse em visita a Beirute em 8 de outubro que a nova missão não assume as funções de manutenção da paz da Unifil.

Dois pilares, um mandato político

A EUSM Lebanon funcionará com dois componentes sob um mandato político único:

  • Pilar militar — assessoria e treinamento para as Forças Armadas Libanesas em segurança de fronteiras e marítima, incluindo vigilância da fronteira terrestre, inteligência, vigilância e reconhecimento, combate ao contrabando e coordenação operacional.
  • Pilar civil — assessoria e treinamento especializado para as Forças de Segurança Interna, com ênfase em crimes cibernéticos e contrabando, além de apoio à governança da segurança portuária, inclusive no porto de Beirute.

A missão se declara alinhada à Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, de 2006, e deve complementar a assistência europeia já prestada pelo Mecanismo Europeu de Apoio à Paz. Segundo o comunicado do Conselho, Kallas classificou a decisão como "uma grande atualização dos nossos laços de segurança" e afirmou que "a Europa está investida no futuro do Líbano".

Criada, mas ainda não lançada

A adoção desta segunda-feira não põe pessoal em campo. O planejamento operacional continua, e o desdobramento depende de uma segunda decisão do Conselho, que lançará a missão quando esse planejamento estiver concluído. O comunicado não informa efetivo, orçamento nem sede.

O caminho até aqui levou quatro meses: em 19 de junho, as conclusões do Conselho Europeu reafirmaram o apoio ao Líbano e sinalizaram uma possível missão da PCSD; em 24 de julho, o Conselho aprovou o Conceito de Gestão de Crises que serviu de base à operação.

Um arranjo que nem todos queriam

A decisão não é consensual fora do bloco. O jornal libanês Al-Modon informou, citando fontes não identificadas, que Washington se opôs em princípio à missão, por preferir mecanismos de coordenação já existentes e um papel maior para o Exército libanês a mais um arranjo militar internacional no modelo da Unifil. O mesmo relato atribui a Israel a preferência por coordenação direta com as Forças Armadas Libanesas, por canais apoiados pelos Estados Unidos. Nenhuma das duas posições foi confirmada de forma independente, e não há registro de oposição formal americana à decisão do Conselho.

O cronograma explica a pressa. Com a Unifil a caminho da saída e sem substituto com mandato de imposição da paz, a aposta europeia é a de transferir capacidade para as forças libanesas antes que o vácuo apareça — e a distância entre "missão criada" e "missão desdobrada" é justamente o prazo que o bloco ainda não cumpriu.

Com informações do Conselho da União Europeia, Eunews e The New Arab.