Pular para o conteúdo
RecortNews
Política

Universidades argentinas voltam ao Congresso: o Orçamento de 2027 reserva 7,3 trilhões de pesos, e os reitores pedem 11 trilhões

A quinta Marcha Federal Universitária se concentra às 13h30 em frente ao Congresso, em Buenos Aires; os sindicatos pedem reposição salarial de 33,4% e um juiz voltou a ordenar que o governo aplique a lei de financiamento em cinco dias.

Por Redação RecortNews
Uma marcha federal universitária na Cidade de Buenos Aires, em 12 de maio de 2026.
Uma marcha federal universitária na Cidade de Buenos Aires, em 12 de maio de 2026.Foto: Crazychubut/Wikimedia Commons, CC0

A comunidade universitária argentina volta às ruas nesta quinta-feira, 15 de outubro. A quinta Marcha Federal Universitária se concentra às 13h30 em frente ao Congreso de la Nación (Congresso Nacional argentino), na Cidade de Buenos Aires, com atos replicados em cidades de todas as províncias. A convocação reúne estudantes, docentes, servidores técnico-administrativos, dirigentes das universidades nacionais e sindicatos do setor sob o lema "pela educação, pela soberania e pela democracia".

Dois pontos organizam o protesto: a aplicação efetiva da Lei 27.795 de Financiamento Universitário e a ampliação das verbas previstas para as universidades nacionais no projeto de Orçamento de 2027 que o governo enviou ao Congresso.

Os números em disputa

O projeto do Executivo destina cerca de 7,3 trilhões de pesos às universidades nacionais. Desse total, 6,3 trilhões correspondem a pessoal, custeio e transferências correntes, e 1,02 trilhão a ciência e tecnologia, hospitais universitários e programas educacionais.

O Consejo Interuniversitario Nacional (CIN, conselho que reúne os reitores das universidades públicas argentinas) pediu a revisão desses valores: calcula que o sistema precisaria de cerca de 11 trilhões de pesos, 50% mais do que o previsto, e estima que só a despesa com pessoal chegaria a 8,368 trilhões — acima do total destinado no projeto.

O contraste entre os dois números é o centro do conflito: pelo cálculo do CIN, a verba enviada não cobriria os salários do sistema, antes de considerar custeio, pesquisa e hospitais. Franco Bartolacci, presidente do conselho, advertiu que, sem mudanças nas dotações, será "realmente muito difícil" garantir o funcionamento normal das universidades em 2027.

A reivindicação salarial

Os sindicatos de docentes e de servidores pedem reposição salarial acumulada de 33,4%. Afirmam que não houve nova rodada de negociação nem ganho adicional aos 3% previstos para setembro.

A lei e o processo judicial

A Lei de Financiamento Universitário foi aprovada pelo Congresso em 2025, depois que o Senado insistiu no projeto apesar do veto do presidente Javier Milei. Sua aplicação efetiva segue em disputa.

No plano judicial, o juiz federal Martín Cormick, do 11º Juizado Contencioso Administrativo Federal, voltou a determinar que o Executivo cumpra em cinco dias uma liminar que obriga a atualizar os salários do setor e os programas de bolsas, sob pena de multa diária em caso de descumprimento.

É a quinta mobilização federal do setor desde que se abriu o conflito pelo orçamento universitário, e a primeira organizada em torno do projeto de Orçamento de 2027.

Com informações de El Destape, Voces Críticas e Infobae, e da agenda da EFE.