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Von der Leyen convida o Canadá a ser o primeiro "membro associado" da União Europeia

No discurso sobre o Estado da União, a presidente da Comissão Europeia também anunciou a proibição de redes sociais para menores de 13 anos e propôs um "Artigo 4" europeu contra ataques híbridos

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, assiste ao discurso sobre o Estado da União no Parlamento Europeu, em 16 de setembro de 2026
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, assiste ao discurso sobre o Estado da União no Parlamento Europeu, em 16 de setembro de 2026Foto: Dati Bendo/Comissão Europeia – Serviço Audiovisual, via Wikimedia Commons, CC BY 4.0

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs nesta quarta-feira (16) que o Canadá se torne o primeiro "membro associado" da União Europeia. O anúncio foi feito no Parlamento Europeu, durante o discurso anual sobre o Estado da União, com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, presente no plenário como convidado.

"Gostaria de trabalhar com você para abrir a porta para que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE", disse von der Leyen, dirigindo-se a Carney. "Compartilhamos um oceano, um conjunto de valores, uma forma de ver o mundo."

Um status que ainda não existe

A categoria de membro associado não está prevista nos tratados europeus. A ideia foi levantada pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, pensando na Ucrânia, e prevê acesso a cúpulas e a parte do orçamento do bloco, mas sem direito pleno a voto, segundo a Al Jazeera. Os detalhes — inclusive se Ottawa teria alguma voz nas instituições — ainda não foram definidos, de acordo com a Euronews.

Carney já havia descartado buscar a adesão plena e defendia uma aliança própria com a Europa. O Canadá negocia participar do Erasmus+, do programa de pesquisa Horizonte Europa e do reconhecimento de qualificações profissionais.

No discurso, von der Leyen disse que o acordo comercial CETA, em vigor desde 2017, fez o comércio de bens entre os dois lados crescer 75% em menos de uma década, e que ele dará lugar a uma "Aliança para o Futuro", com cooperação em defesa, indústria, Ártico, energia, minerais críticos, inteligência artificial e cibersegurança. Uma cúpula UE–Canadá está marcada para outubro, em Montreal. "É uma parceria não contra alguém, mas pela nossa força comum", afirmou.

Redes sociais só a partir dos 13 anos

O anúncio de maior efeito imediato para os europeus foi o EU Kids Act, que a Comissão apresenta nesta quinta-feira (17). A proposta proíbe redes sociais para menores de 13 anos; entre 13 e 15, só "mini contas" criadas e supervisionadas pelos pais, com recursos limitados e uma hora de uso por dia; e, dos 15 aos 18, obriga as plataformas a adotar design seguro. Caberá às empresas provar que seus serviços são seguros.

Segurança: um "Artigo 4" europeu

Von der Leyen citou incidentes da última semana na Dinamarca, na Lituânia e na Polônia e classificou a tentativa de ataque com drone em Leipzig como uma ação de "operativos russos em solo europeu". Propôs:

  • um Protocolo de Emergência de Segurança, inspirado no Artigo 4 da Otan: acionado por um país, reuniria todos os Estados-membros para coordenar uma resposta;
  • um Conselho de Segurança Europeu, com parceiros como Canadá, Noruega, Ucrânia e Reino Unido;
  • um novo instrumento para financiar "facilitadores estratégicos", como defesa aérea, transporte estratégico e reabastecimento em voo.

Para a Ucrânia, prometeu o maior apoio já dado para o inverno, reforço da defesa antiaérea — o bloco aprovou na semana passada, pela primeira vez, a compra de mísseis Patriot americanos — e mais rigor na aplicação das sanções contra a Rússia.

Economia, clima e China

A presidente da Comissão disse que o fechamento do Estreito de Ormuz custou à Europa € 90 bilhões adicionais em combustíveis fósseis importados e que o déficit comercial com a China chegou a € 1 bilhão por dia. Anunciou uma nova Corporação Europeia de Matérias-Primas Críticas para comprar e estocar insumos dos quais o bloco depende em mais de 80% da China.

Sobre o clima, lembrou que o verão europeu queimou 660 mil hectares e causou mais de 35 mil mortes adicionais nas ondas de calor, e prometeu um plano europeu contra ondas de calor e uma aliança para seguro climático. Também anunciou um corredor de conectividade com o Cáucaso do Sul e a Ásia Central, com meta de mobilizar até € 12 bilhões.

Sobre o Oriente Médio, chamou de "inaceitável" a decisão do governo israelense de avançar com o assentamento E1 na Cisjordânia e lamentou que os Estados-membros não tenham conseguido formar maioria para uma resposta comum.

Com informações da Comissão Europeia (texto oficial do discurso), Euronews e Al Jazeera.