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Economia

Warren Buffett deixa a presidência do conselho da Berkshire Hathaway aos 96 anos

O filho Howard assume a cadeira que Buffett ocupava desde 1970; Greg Abel continua como presidente-executivo e Buffett vira presidente emérito, sem sair do conselho.

Por Redação RecortNews
Warren Buffett, então presidente do conselho da Berkshire Hathaway, em encontro com o presidente Barack Obama no Salão Oval, em 18 de julho de 2011.
Warren Buffett, então presidente do conselho da Berkshire Hathaway, em encontro com o presidente Barack Obama no Salão Oval, em 18 de julho de 2011.Foto: Pete Souza/Casa Branca, domínio público

Warren Buffett, de 96 anos, deixou a presidência do conselho de administração da Berkshire Hathaway na sexta-feira, 18 de setembro de 2026, com efeito imediato. Encerra-se assim um comando iniciado nos anos 1960, que transformou uma fábrica têxtil decadente da Nova Inglaterra em um dos maiores conglomerados dos Estados Unidos.

"O tempo sempre vence", disse Buffett sobre a decisão.

Quem fica com o quê

A cadeira vai para Howard Buffett, seu filho, integrante do conselho da Berkshire desde 1993. O papel que ele herda é deliberadamente estreito: durante anos o pai descreveu a função como uma apólice de seguro sobre a cultura da empresa, e não como um posto de comando. Buffett voltou a essa imagem ao anunciar a mudança, dizendo que Greg Abel toca as operações enquanto o filho "vai guardar sua cultura e seus valores".

Greg Abel segue onde está, como presidente-executivo — o cargo que Buffett entregou ao anunciar sua saída da gestão do dia a dia. Susan Decker, ex-presidente do Yahoo, continua como conselheira independente líder.

O próprio Buffett não deixa o prédio. Fica com o título de presidente emérito e mantém o assento no conselho.

"O impacto de Warren sobre a Berkshire e seus donos não tem paralelo na história dos negócios americanos", disse Abel em comunicado. "A cultura que Warren construiu e os valores que ele defendeu vão continuar no coração da Berkshire, e Howard será o guardião deles."

Uma passagem de bastão em ano fraco

A sucessão chega com a ação parada. O papel da Berkshire acumulava alta de cerca de 1% no ano no momento do anúncio, contra um ganho de aproximadamente 12% do S&P 500, e as ações não se moveram no pregão pré-abertura depois da notícia — sinal de que o mercado já havia precificado a transição ao longo das duas etapas em que ela foi feita.

Essa diferença é a pergunta que Abel e o conselho carregam agora. A identidade da Berkshire se apoiou por seis décadas no julgamento de um único investidor sobre o que comprar e quando ficar parado; o caixa e as empresas operacionais atravessam intactos a troca na presidência do conselho, mas o prêmio que vinha colado ao nome não se transfere automaticamente.

Com informações de NPR, Axios e CNBC.