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Economia

Zelensky pede € 70 bilhões para 2027, e a UE encerra a cúpula sem decidir o que fazer com os € 210 bilhões russos congelados

O empréstimo de € 90 bilhões aprovado em dezembro cobre cerca de dois terços das necessidades de Kiev, e a Comissão Europeia prevê desembolsar € 45 bilhões no ano que vem

Por Redação RecortNews
O edifício Europa, sede das reuniões do Conselho Europeu, em Bruxelas, em 2013.
O edifício Europa, sede das reuniões do Conselho Europeu, em Bruxelas, em 2013.Foto: Olnnu/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

O pedido de Kiev

Os líderes dos 27 países da União Europeia encerraram nesta sexta-feira, em Bruxelas, a reunião do Conselho Europeu de 15 e 16 de outubro sem fechar a conta que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, levou à mesa. Zelensky pediu € 70 bilhões adicionais para 2027 e afirmou que a guerra custará € 155 bilhões no ano que vem.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse considerar a estimativa ucraniana correta, mas avisou que o bloco não pretende cobri-la sozinho — outros aliados ocidentais, segundo ela, devem assumir uma parte. Os chefes de governo pediram à Comissão que apresente opções para fechar a lacuna e encomendaram uma avaliação atualizada, da própria Comissão e do Fundo Monetário Internacional (FMI), sobre as necessidades financeiras e militares da Ucrânia.

O que já está contratado

O pedido se soma ao empréstimo de € 90 bilhões aprovado em dezembro de 2025 para cobrir 2026 e 2027. Quando foi fechado, o pacote era estimado em cerca de dois terços das necessidades ucranianas: nunca foi desenhado como solução completa. A Comissão prevê desembolsar € 45 bilhões no ano que vem, mais recursos residuais.

As conclusões da cúpula registram ainda a liberação de € 6,6 bilhões pelo Fundo Europeu de Apoio à Paz, a prorrogação e revisão da missão de assistência militar à Ucrânia (EUMAM Ucrânia) e a criação de uma coalizão integrada antimíssil balístico. Em defesa, os líderes apoiaram o projeto Eastern Flank Watch, pediram um plano de ação antidrones e deram prazo até o fim de 2026 para que Conselho e Parlamento fechem a proposta de mobilidade militar.

Os € 210 bilhões que ninguém desbloqueia

Cerca de € 210 bilhões do banco central russo estão imobilizados na Europa, conforme a proposta apresentada pela Comissão Europeia em dezembro de 2025. A maior parte está depositada no Euroclear, na Bélgica — e é exatamente aí que a discussão trava.

Em outubro de 2025, os líderes europeus chegaram a desenhar um "empréstimo de reparação" de € 140 bilhões, sem juros, lastreado nesses ativos: a Ucrânia só pagaria se a Rússia a indenizasse pelos danos da guerra. O mecanismo foi considerado inviável em 19 de dezembro de 2025, sobretudo pela resistência belga, e em seu lugar veio o empréstimo de € 90 bilhões, financiado por endividamento do próprio bloco. Uma semana antes, em 12 de dezembro, os países já haviam decidido manter os ativos congelados por tempo indeterminado.

Nesta cúpula o assunto voltou, e o mapa de posições não mudou. A Bélgica, que guarda a maior parte do dinheiro, continua contrária, pelo risco jurídico e financeiro que recairia sobre ela. França e Itália estão reticentes. Alemanha, Espanha, Países Baixos, nórdicos e bálticos defendem o uso. A Irlanda disse estar aberta à ideia, mas lembrou que a tentativa anterior fracassou. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, classificou os ativos como uma das melhores opções disponíveis, e Zelensky pediu que a Europa os utilize antes que Moscou consiga reivindicá-los de volta. Não houve decisão.

A aritmética ajuda a entender o impasse: os € 210 bilhões imobilizados equivalem a três vezes o pedido de € 70 bilhões para 2027. O que trava a conversa não é o tamanho da soma, é quem fica com o risco de mexer nela.

Sanções

Os líderes saudaram o 21º pacote de sanções e novas inclusões que somam perto de 1.600 pessoas e entidades nas listas restritivas, e pediram medidas para cortar a receita energética russa e agir contra a chamada frota-sombra de petroleiros. A cúpula também apoiou a criação de uma comissão internacional de reclamações e de um tribunal especial para o crime de agressão.

"Não vamos suspender nenhuma sanção a menos que a Rússia pare a guerra", disse von der Leyen. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, foi na mesma linha: "Não é hora de aliviar as sanções à Rússia."

Alargamento

As conclusões celebraram a abertura dos blocos de negociação 2 e 3 para Ucrânia e Moldávia, nas conferências de adesão de 13 de outubro, e pediram que os demais sejam abertos o quanto antes. Sobre Montenegro, os líderes registraram o avanço do tratado de adesão e a meta da presidência do Conselho de fechar provisoriamente os capítulos restantes, condicionada às reformas do país. O texto trata o alargamento como "investimento geoestratégico" e cobra reformas internas da própria UE antes de novas entradas.

Migração e orçamento, sem acordo

Migração entrou apenas como discussão estratégica, sem conclusões operacionais. Dinamarca, Itália e Polônia pressionaram por linguagem mais dura; a versão mais ampla do rascunho, que advertia contra medidas capazes de criar incentivo à migração irregular, foi rejeitada, e um texto mais curto acabou adotado. Os líderes também discutiram um mecanismo de crise para o asilo, e a Comissão prepara um protocolo de emergência.

"Tivemos um debate ruim", resumiu o presidente francês, Emmanuel Macron, que disse que a divisão empurra os países para soluções nacionais — para ele, ineficazes.

O orçamento plurianual de 2028 a 2034 também ficou sem acordo. Os líderes discutiram os elementos de um compromisso sobre a caixa de negociação atualizada apresentada pela presidência irlandesa e pediram a Costa que conduza as conversas com a meta de fechar até o fim de 2026. O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, rejeitou um aumento da ordem de 60% na contribuição nacional sueca.

Com informações do Conselho Europeu, da Euronews e da Interfax-Ucrânia.