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Ataque a igreja ortodoxa no sul da Jordânia mata sete durante funeral, e ministro do Interior fala em ação "sem precedentes"

Sete pessoas morreram e 34 ficaram feridas na aldeia de Hamoud, no governorado de Karak; 27 dos feridos seguiam internados e os atiradores continuam foragidos

Por Redação RecortNews
A cidade de Al-Karak, sede do governorado onde fica a aldeia de Hamoud, no sul da Jordânia, em agosto de 2026.
A cidade de Al-Karak, sede do governorado onde fica a aldeia de Hamoud, no sul da Jordânia, em agosto de 2026.Foto: Mohammad hajeer/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Homens armados invadiram uma igreja grega ortodoxa na aldeia de Hamoud, no governorado de Karak, a cerca de 120 quilômetros ao sul de Amã, e abriram fogo contra os presentes durante um funeral na sexta-feira (23). Sete pessoas morreram e 34 ficaram feridas, segundo o diretor da Direção de Segurança Pública da Jordânia, Obaidullah al-Maaytah. Vinte e sete dos feridos seguiam internados em hospitais.

É um dos ataques mais letais contra civis registrados no país em uma década — e o primeiro em anos a ter uma igreja como alvo.

Minutos de tiros durante o cortejo

Sobreviventes relataram que uma explosão marcou o início da ação, já com o cortejo fúnebre em andamento, e que em seguida os atiradores entraram no recinto da igreja e dispararam por vários minutos. Um dos presentes, Khaled Burqan, disse à Al Jazeera que um dos agressores portava uma pistola e o outro, um rifle. Outra testemunha afirmou à CBS News que os tiros duraram cerca de cinco minutos antes de os atiradores fugirem.

O número de agressores ainda é incerto. Testemunhas ouvidas pela Al Jazeera descreveram dois homens encapuzados; imagens exibidas pela emissora estatal Al-Mamlaka e descritas pela CBS News mostram três pessoas — duas com pistolas e uma com arma longa. A Direção de Segurança Pública informou que os agressores desceram de um veículo, entraram no pátio da igreja e atiraram antes de escapar.

Entre 150 e 200 pessoas estavam dentro da igreja ou nas imediações no momento do ataque, segundo a CBS News, e a maioria das vítimas tinha entre 50 e 70 anos.

"Sem precedentes"

O ministro do Interior, Mazen al-Faraya, classificou a ação como "terrorista" e "sem precedentes" em entrevista coletiva, sem atribuí-la a nenhum grupo. Até a manhã deste sábado (24), nenhuma organização havia assumido a autoria.

O rei Abdullah II prometeu a "retaliação mais dura" contra os responsáveis e escreveu em suas redes sociais que a Jordânia vai "golpear com mão de ferro aqueles que ousarem ameaçar nossa nação". O ministro da Comunicação do Governo, Mohammed al-Momani, disse que as forças de segurança investigam o caso. Al-Maaytah afirmou que a caçada aos atiradores continua e que os autores serão capturados.

Uma comunidade pequena e um precedente na mesma região

Karak abriga uma das comunidades cristãs mais significativas do reino, de maioria muçulmana, de acordo com a CBS News — razão pela qual ataques desse tipo são descritos como raros no país.

A região já foi palco de violência semelhante: em 2016, homens armados atacaram policiais em Karak e mataram dez pessoas, sete delas agentes de segurança. As forças jordanianas mataram os atiradores depois de um cerco prolongado, também segundo a CBS News.

Repercussão internacional

O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos condenou o ataque, descrevendo-o como terrorista e criminoso. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou a ação com veemência por meio de seu porta-voz, Stéphane Dujarric. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, chamou o episódio de "ataque terrorista hediondo".

Com informações de Al Jazeera, CBS News e da emissora estatal jordaniana Al-Mamlaka.