O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou o fechamento total da Cisjordânia ocupada depois de um ataque a tropas israelenses na região de Hebron, na sexta-feira, 23 de outubro. Neste sábado, a operação que decorreu da ordem já havia retirado de casa cerca de 2 mil moradores da cidade — número confirmado pelo próprio ministro da Defesa, Israel Katz, à emissora pública Kan — e alcançado, segundo correspondentes da Al Jazeera, pelo menos 15 localidades do território.
Katz disse que os moradores retirados "não serão autorizados a voltar" enquanto as questões ligadas ao Hamas em Hebron não forem resolvidas. Em publicação na rede X, afirmou que "o modelo do campo de refugiados de Jenin chega a Hebron", referência às operações prolongadas conduzidas no norte da Cisjordânia. Netanyahu, por sua vez, disse que as forças israelenses entrariam em bairros, retirariam residentes e desmontariam "infraestrutura terrorista", e anunciou que uma "grande surpresa" aguardava a Autoridade Palestina, sem detalhar o que isso significa.
O que aconteceu na sexta-feira
Dois palestinos armados com um rifle e uma pistola atacaram militares israelenses na área de Hebron. Dois soldados morreram e cinco pessoas ficaram feridas, duas delas em estado crítico, de acordo com o The National. Os dois atiradores foram mortos pelo Exército, que afirmou que eles planejavam um ataque "de grande escala" contra israelenses; a imprensa palestina os identificou como Mohammad Jaaba e Firas Jaaba, ambos de 27 anos e moradores de Hebron.
Hebron sob cerco, 15 localidades sob incursão
A cidade foi isolada, sem entrada nem saída livres. O Exército israelense informou que a operação deve durar "vários dias" e que os moradores podem sair por uma de três passagens designadas, após interrogatório e inspeção. Moradores relataram que soldados anunciaram as ordens de evacuação por alto-falantes na madrugada.
Na sexta-feira, forças israelenses demoliram um edifício residencial em Farsh al-Hawa, a oeste de Hebron, e bloquearam o acesso de moradores. O ativista Issa Amro afirmou que casas e lojas seguiam sendo demolidas e que todas as entradas e saídas da região estavam fechadas. Jornalistas da Al Jazeera que registravam as demolições foram alvo de uma granada de efeito moral perto do posto de controle de Farsh al-Hawa.
Fora de Hebron, as incursões atingiram Jenin e Nablus, no norte; Ramallah, Al-Bireh, Birzeit e Jerusalém Oriental ocupada, no centro; e Belém, no sul. O Clube do Prisioneiro Palestino contabilizou cerca de 70 detenções na Cisjordânia; a agência palestina Wafa registrou ao menos 13 presos em Hebron.
A escala do que está fechado
Hebron tem cerca de 200 mil habitantes na área urbana e aproximadamente 600 mil na governadoria, a mais populosa da Cisjordânia. É essa dimensão que distingue a medida das operações pontuais dos últimos meses: o número de retirados de casa, cerca de 2 mil, é pequeno diante da governadoria, mas o bloqueio de circulação atinge todo o conjunto.
A Autoridade Palestina classificou a ação como "punição coletiva", citou as demolições e o "fechamento e cerco das cidades palestinas" e pediu intervenção internacional. O primeiro-ministro palestino, Mohammad Mustafa, conversou com o prefeito de Hebron, Yousef al-Jaabari — que calcula em 2.200 as pessoas retiradas de casa —, sobre as necessidades dos moradores afetados, em maioria mulheres, crianças, idosos e doentes. O Hamas afirmou que a escalada "só vai alimentar mais indignação".
A organização israelense de direitos humanos BTselem pediu a governos e organismos internacionais que atuem para impedir deslocamento forçado, punição coletiva e destruição ilegal em Hebron, e descreveu a campanha como parte de esforços de "limpeza étnica". A entidade calcula em pelo menos 33 mil o número de palestinos deslocados por ações israelenses no norte da Cisjordânia — cifra que não se refere a Hebron.
A operação ocorre a três dias das eleições parlamentares em Israel, marcadas para 27 de outubro. Segundo a analista Nour Odeh, da Al Jazeera, políticos israelenses tentam "capitalizar" o ataque, em um momento em que o Likud, de Netanyahu, e seus aliados aparecem atrás nas pesquisas.
Com informações de Al Jazeera e The National, e de dados divulgados pela agência Wafa e pela BTselem.




