Os eleitores de Israel escolhem nesta terça-feira (27) os 120 integrantes do Knesset, o Parlamento do país, na primeira eleição nacional desde os ataques de 7 de outubro de 2023. Cerca de 7 milhões de pessoas estão aptas a votar, segundo a Euronews. Na maioria das seções, as urnas funcionam das 7h às 22h no horário local.
As pesquisas divulgadas no fim de semana convergem em um ponto: nenhum dos dois blocos chega às 61 cadeiras necessárias para governar.
Como o voto se transforma em cadeiras
Israel é um distrito eleitoral único. O eleitor escolhe uma lista fechada de partido, e as cadeiras são repartidas proporcionalmente entre as legendas que superam a cláusula de barreira de 3,25% dos votos. Nenhum partido isolado jamais obteve 61 das 120 cadeiras, o que faz da negociação de coalizão — e não da apuração — a etapa que define quem governa.
O calendário também é longo. O 25º Knesset foi dissolvido em 17 de julho, com os parlamentares seguindo no cargo até a primeira sessão do novo Parlamento e o governo em exercício até a posse de um sucessor. O prazo final para registrar listas foi 9 de setembro, e a propaganda em TV e rádio começou em 13 de outubro. O resultado oficial será confirmado em 4 de novembro, e o prazo para recursos contra a apuração vai até 18 de novembro. Os israelenses no exterior votaram nas missões diplomáticas a partir de 20 de outubro.
O que mostram as pesquisas
A média de quatro levantamentos — Canais 12, 13 e 14 e o jornal Maariv — compilada pelo Jerusalem Post na véspera da eleição distribuía as cadeiras assim:
- Yashar (Gadi Eisenkot): 22
- Likud (Benjamin Netanyahu): 19,75
- B'Yachad (Naftali Bennett e Yair Lapid): 14,5
- Os Democratas (Yair Golan): 9,5
- Lista Unida (de maioria árabe): 9
- Yisrael Beytenu (Avigdor Lieberman): 8
- Otzma Yehudit (Itamar Ben-Gvir): 7,75
- Shas: 7,5
- Judaísmo Unido da Torá: 7,5
- Sionismo Religioso–Zehut (Bezalel Smotrich): 7
- Ra'am (Mansour Abbas): 5,5
Nessa média, o bloco de oposição soma 54 cadeiras e o de Netanyahu, 49,5 — uma diferença de 4,5 e, sobretudo, 7 cadeiras a menos que a maioria para o lado da frente. A pesquisa final do Maariv dava 54 a 48; o Canal 13, 54 a 50; a KAN 11, 52 a 50; e o Canal 12, 56 a 50.
A Al Jazeera, em outra compilação, projetava 52 cadeiras para a oposição e 50 para a aliança nacionalista-religiosa de Netanyahu.
Em todas essas contas, a soma dos partidos de maioria árabe — entre 13 e 14,5 cadeiras — é maior que a distância entre os dois blocos, sem que essas legendas integrem nenhum deles. É o número que torna aritmeticamente difícil fechar um governo sem contar com elas, de dentro da coalizão ou de fora.
Duas listas pequenas ficaram na fronteira da cláusula de barreira: a dos Reservistas-Econômica, de Yoaz Hendel e Yaron Zelekha, cruzou os 3,25% em duas das quatro pesquisas, com 4 cadeiras; a Povo de Israel ficou abaixo do corte em todas elas.
Netanyahu, Eisenkot e a campanha
Netanyahu, que domina a política israelense há cerca de duas décadas, busca renovar o mandato depois de três anos de guerra. Seu principal adversário é Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior do Exército, que perdeu dois filhos em combate e cuja campanha se organizou menos em torno de um programa distinto do que da oposição ao primeiro-ministro. Em entrevista a uma rádio, citada pela Euronews, Eisenkot disse que o que Netanyahu oferece é "uma guerra eterna".
Os dois convergem em pontos relevantes: ambos rejeitam a solução de dois Estados e defendem linha dura em relação ao Irã.
No fim de setembro, líderes da oposição assinaram um pacto de não agressão mútua durante a campanha, voltado a tirar Netanyahu do poder. O grupo não indicou um candidato a primeiro-ministro, embora Eisenkot seja visto como o nome mais provável.
Um dos temas em jogo é a comissão estatal de inquérito sobre as falhas do 7 de outubro de 2023, rejeitada pelo governo atual. "Quanto mais o governo rejeita a ideia, mais as pessoas suspeitam que ele tem algo a esconder", disse à Euronews Yossi Mekelberg, do instituto britânico Chatham House, que avalia que um governo de oposição poderia abrir essa investigação.
Os cenários pós-urna
A Al Jazeera lista oito desfechos possíveis, da recondução de Netanyahu com os mesmos ou novos parceiros a um governo minoritário apoiado por fora pela Lista Unida — que cobraria condições, entre elas um caminho para o Estado palestino. Mansour Abbas, do Ra'am, já sinalizou disposição de integrar uma coalizão, hipótese descartada publicamente pela maior parte dos líderes de oposição. Entre os cenários também estão um governo de unidade nacional, uma premiê rotativa e, no limite, nenhum acordo — o que levaria a uma nova eleição com Netanyahu como interino.
O que a Europa observa
Para a União Europeia, não está claro se o resultado muda a relação com Israel. O Acordo de Associação UE-Israel, em vigor desde 2000, segue de pé, e a relação entre a alta representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, e o chanceler israelense Gideon Sa'ar é descrita como tensa. Uma fonte europeia disse à Euronews que há "alguma esperança" de encontrar terreno comum com a nova administração israelense, quem a lidere.
Com informações de Al Jazeera, Euronews e The Jerusalem Post.




