A Rússia bombardeou na segunda-feira (2) uma escola usada para a distribuição semanal de ajuda humanitária no vilarejo de Komyshuvakha, na região ucraniana de Zaporíjia, e o número de mortos chegou a 26, segundo o presidente Volodymyr Zelensky. Outras 27 pessoas seguiam desaparecidas sob os escombros, e cinco feridos foram hospitalizados.
O chefe da administração regional de Zaporíjia, Mykhailo Semikin, afirmou que o ataque usou ao menos nove bombas aéreas guiadas do tipo FAB-3000, de cerca de 3 mil quilos cada. Ele decretou luto na região nesta terça-feira (3).
Duas explosões no mesmo ponto
A primeira bomba atingiu a escola no momento em que moradores recebiam mantimentos. Em seguida, uma segunda explosão atingiu o abrigo onde as pessoas haviam se protegido e para onde as equipes de resgate já tinham entrado — o padrão de "ataque duplo" descrito por Zelensky ao relatar o episódio.
O Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia (DSNS) confirmou 24 mortes, entre elas dois de seus socorristas, Denys Konovalenko e Oleksii Sushchevskyi, ambos de 44 anos, e quatro policiais. Outros dois socorristas foram hospitalizados. O ginásio da escola e um veículo de combate a incêndio foram destruídos, segundo a direção do DSNS.
A busca avançou devagar. A polícia relatou atividade de drones, bombardeios e fumaça densa no prédio desabado, e o primeiro-ministro Serhii Koretskyi disse que o risco de um novo ataque no mesmo ponto atrasou o trabalho. Para ele, não há dúvida de que a Rússia sabia que moradores recebiam ajuda ali toda semana. Os militares russos não comentaram publicamente o ataque.
A poucos dias de uma nova rodada de negociação
O bombardeio ocorre pouco antes da retomada das conversas de paz entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos em Abu Dhabi, suspensas desde fevereiro. O enviado americano Steve Witkoff disse que as delegações se reúnem na semana que vem; Zelensky citou 10 de novembro como data possível. Negociadores dos EUA também devem encontrar autoridades europeias e da Otan em Bruxelas nesta semana.
Para Zelensky, o ataque é um sinal "absolutamente oposto" ao de uma desescalada — ele classificou o episódio como "absolutamente horrível" e pediu uma resposta do mundo. "Atrás de cada número há destinos humanos", disse Semikin.
Komyshuvakha já havia sido alvo durante uma distribuição de ajuda: em junho, um ataque de drone no vilarejo feriu quatro pessoas. O bombardeio de segunda-feira veio um dia depois do fim de um cessar-fogo localizado, mediado pelos Estados Unidos, na cidade ocupada de Oleshky, na região de Kherson.
Com informações de Kyiv Post e BBC.




