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RD Congo tem 28,8 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda até dezembro, e a projeção para 2027 sobe a 30,3 milhões

Análise do IPC aponta 3,6 milhões em nível de emergência e 10,4 milhões apenas em Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri

Por Redação RecortNews
Uma mulher transporta sambaza, peixe pequeno do lago Kivu, para vender em um mercado de Goma, capital de Kivu do Norte, em 2015.
Uma mulher transporta sambaza, peixe pequeno do lago Kivu, para vender em um mercado de Goma, capital de Kivu do Norte, em 2015.Foto: MONUSCO Photos/Abel Kavanagh/Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

A República Democrática do Congo tem 28,8 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda até dezembro — 23% da população analisada —, segundo a nova análise da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês), divulgada em 30 de outubro. Para o período de janeiro a junho de 2027, a projeção sobe a 30,3 milhões, quase uma em cada quatro pessoas analisadas.

Mais de 3,6 milhões de pessoas, cerca de 3% do total, estão na Fase 4 da escala, a de emergência — o degrau imediatamente anterior à fome declarada. Na projeção para o primeiro semestre de 2027, esse grupo chega a 4,2 milhões.

O leste concentra a crise

Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri são as províncias mais atingidas e reúnem 10,4 milhões de pessoas na Fase 3 ou acima. Quatro territórios — Djugu, Fizi, Shabunda e Walungu — estão classificados na Fase 4. "As condições se deterioraram de forma mais acentuada nas províncias do nordeste e do leste", afirma o IPC.

Deslocados, retornados, refugiados e famílias pobres são os grupos mais afetados.

Conflito, Ebola e El Niño

A análise aponta quatro motores: conflito e deslocamento, o avanço do Ebola, enchentes associadas ao El Niño e a alta de preços de alimentos, combustível e insumos agrícolas. A isso se soma a redução da ajuda humanitária. "Conflito e violência continuam a provocar deslocamento, a desorganizar meios de vida e a restringir o acesso a comida e a mercados", diz o texto.

O alerta saiu em meio ao maior surto de Ebola já registrado no país, que passou de 10 mil casos. Começou em Ituri e se espalhou para oito províncias.

"Necessidades que explodem, orçamentos que encolhem"

Clemeny Nkubizi, diretor da CARE na República Democrática do Congo, afirma que famílias em Ituri e no Kivu do Sul estão pulando refeições e escolhendo entre comida, escola e remédio, e que a organização não consegue atender necessidades que explodem com orçamentos que encolhem.

Safi, agricultora do Kivu do Sul, resumiu à CARE: "Ficou difícil pôr comida na mesa." Ela pede sementes, ferramentas e técnicas agrícolas mais resistentes ao clima. Mwajuma, também agricultora da província e deslocada mais de uma vez por conflito e enchentes, disse à organização que "às vezes vamos dormir com fome".

O que a escala mede

O IPC é uma plataforma apoiada pela ONU que classifica a insegurança alimentar em cinco fases: a 3 é a de crise, a 4 a de emergência e a 5, a de fome declarada. Nenhum território congolês aparece na Fase 5 nesta análise — os 4,2 milhões projetados em emergência são o grupo mais próximo desse limite.

Com informações de ONU News e CARE, com base na análise do IPC.