O Brasil fechou setembro com 121.305 vagas formais criadas, resultado de 2.214.437 admissões contra 2.093.132 desligamentos, segundo os dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O número é positivo, mas é 43,5% menor que o de setembro de 2025 (214.609 vagas) e 24,7% abaixo do saldo de agosto deste ano (161.062).
O estoque de vínculos formais ativos no país chegou a 48.359.577.
O ano desacelerou junto
De janeiro a setembro, o país acumula 1.248.914 vagas, contra 1.731.398 no mesmo período de 2025 — uma queda de 27,9%. Na janela de 12 meses encerrada em setembro, o saldo é de 787.073 postos, crescimento de 1,65% no estoque.
É esse mesmo esfriamento que o Banco Central mencionou na quarta-feira (4), ao manter a Selic em 13,75% ao ano: o comunicado do Comitê de Política Monetária cita a moderação da atividade e sinais de desaquecimento no mercado de trabalho, ainda que o classifique como resiliente.
Serviços seguram o saldo, agropecuária no vermelho
| Setor | Saldo em setembro |
|---|---|
| Serviços | +81.241 |
| Indústria | +19.285 |
| Comércio | +15.697 |
| Construção | +9.468 |
| Agropecuária | −4.381 |
Dentro de serviços, os maiores saldos vieram de atividades administrativas (18.386) e de saúde humana e serviços sociais (15.403). Na construção, obras de infraestrutura responderam por 4.669 postos.
A agropecuária foi o único setor negativo, e a perda se concentra em lavouras de ciclo definido: o café teve saldo de −5.548 e o alho, de −1.396 — números que refletem o calendário das safras, não uma crise setorial.
No acumulado do ano, serviços lideram com 775.774 vagas, seguidos por construção (207.434) e indústria (188.563).
Geografia e salário
Vinte e seis das 27 unidades da federação tiveram saldo positivo em setembro. A exceção foi o Rio Grande do Sul, com −2.937 postos (queda de 0,10%). Em números absolutos, os maiores saldos foram de São Paulo (19.391), Pernambuco (13.371) e Alagoas (11.110); em crescimento relativo, Alagoas (2,47%), Amapá (1,35%) e Roraima (1,23%) ficaram à frente. No acumulado do ano, todas as 27 unidades estão no positivo, com São Paulo (322.551), Minas Gerais (129.777) e Rio de Janeiro (86.489) no topo.
O salário médio real de admissão ficou em R$ 2.429,41, praticamente estável em relação a agosto (R$ 2.430,51, queda de 0,05%) e 1,88% acima de setembro de 2025 (R$ 2.384,50). A diferença entre tipos de vínculo continua grande: os vínculos típicos, 78,1% das contratações do mês, pagaram em média R$ 2.480,24, contra R$ 2.054,61 nos não típicos.
Com informações da Agência Gov e da CNN Brasil, a partir dos dados do Novo Caged.




