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Economia

Copom mantém a Selic em 13,75% por unanimidade e interrompe cinco cortes seguidos

Na 282ª reunião, o comitê elevou de 3,2% para 3,5% a projeção de inflação para o 2º trimestre de 2028 e não marcou data para voltar a cortar

Por Redação RecortNews
O edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, onde o Copom se reúne, em imagem de 2010.
O edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, onde o Copom se reúne, em imagem de 2010.Foto: Banco Central do Brasil/Wikimedia Commons, CC BY 2.0

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano na quarta-feira (4), em decisão unânime dos sete integrantes do colegiado. É a primeira vez em oito meses que o comitê não mexe nos juros: a 282ª reunião interrompe uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, iniciada em março, que levou a taxa básica de 15% para o nível atual.

A pausa era o cenário majoritário entre analistas antes do anúncio. O que o comunicado acrescentou foi o tom: o comitê descreveu um ambiente em que a inflação ainda não cabe na meta e pediu, nas palavras do próprio texto, "serenidade e cautela na sua condução".

O que o comitê diz sobre a inflação

Segundo o comunicado, "os riscos para a inflação permanecem elevados e com assimetria altista" — ou seja, o Banco Central considera mais provável que a inflação surpreenda para cima do que para baixo. A projeção do próprio comitê para o horizonte que ele usa como referência, o segundo trimestre de 2028, subiu de 3,2% para 3,5%.

Esse número é a explicação mais direta da decisão. A meta de inflação no Brasil é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual — teto de 4,5%. Uma projeção de 3,5% no horizonte relevante cabe no intervalo, mas fica meio ponto acima do centro, e é esse desvio que o comitê usa para justificar juros parados em território contracionista.

Entre as expectativas de mercado reunidas na pesquisa Focus, o IPCA aparece em 5,2% para 2026 e 4,8% para 2027, ambos acima do teto.

Economia perdendo ritmo

O comunicado também registra a desaceleração da atividade, citando "a moderação mais acentuada da atividade econômica, principalmente nos setores mais cíclicos", e sinais de desaquecimento no mercado de trabalho — que seguem aparecendo nos dados do emprego formal, com o saldo de setembro 43,5% menor que o de um ano antes.

É a tensão clássica de uma pausa: a atividade pede juros menores, a inflação projetada pede juros parados. O comitê não marcou data para retomar os cortes e condicionou os próximos passos à evolução dos indicadores.

O calendário até dezembro

  • 10 de novembro: publicação da ata da reunião, o documento que detalha o raciocínio por trás do voto.
  • Fim de novembro: Relatório de Política Monetária, com as projeções de inflação revistas.
  • 8 e 9 de dezembro: última reunião do Copom em 2026, com a decisão anunciada no dia 9.

Antes do ciclo de cortes, a Selic ficou em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026, o nível mais alto em quase duas décadas.

Com informações de Sou Brasília, Gazeta Mercantil e Fecomércio-RS.