A terceira rodada de conversas entre o chavismo e um setor da oposição venezuelana terminou nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, depois de uma semana de reuniões dedicadas às garantias políticas e civis para um eventual processo eleitoral. No mesmo dia, a chefe da delegação oposicionista na mesa, a ex-deputada Dinorah Figuera, deu uma data provisória para o que considera o objetivo final do processo: uma eleição presidencial "pelo menos no fim do ano que vem".
Figuera fez a afirmação em entrevista ao jornal El Nacional, reproduzida pela agência EFE. Disse-se "otimista" quanto à possibilidade de o país voltar às urnas em 2027, mas condicionou o calendário a uma reforma prévia do sistema de votação.
"Depuração do cadastro eleitoral"
"A primeira coisa que devemos fazer é uma depuração do cadastro eleitoral, do sistema", disse Figuera, que afirmou que os assessores da delegação detectaram irregularidades na lista de eleitores. A essa tarefa somou outra condição: que os partidos de oposição recuperem seus registros eleitorais, hoje em sua maioria suspensos, sem os quais não poderiam lançar candidatos.
A dirigente disse esperar um relatório eleitoral em dezembro e colocou no mesmo mês o prazo para a nomeação dos novos ministros do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ, a corte suprema venezuelana): "no mais tardar em dezembro". A renovação completa do TSJ foi o eixo das duas primeiras rodadas, realizadas em agosto e setembro, ao lado da liberação do ouro venezuelano depositado na Inglaterra e da suspensão de bloqueios a portais de internet, incluindo sites de notícias.
O Parlamento, de maioria chavista, avança em paralelo na escolha de 12 representantes da sociedade civil e 11 deputados para o Comitê de Indicações Judiciais, instância que avalia os candidatos às vagas na corte.
Uma mesa sem Machado nem González Urrutia
O diálogo começou em 14 de outubro e é impulsionado pelos Estados Unidos como parte de seu plano de transição para a Venezuela após a captura de Nicolás Maduro em janeiro. Do lado do governo participa a administração da presidente em exercício, Delcy Rodríguez; o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, esteve na sessão de abertura.
Nem María Corina Machado nem Edmundo González Urrutia integram a mesa, ausência que delimita o alcance político do processo: quem negocia é um setor da oposição, não o conjunto dela.
Figuera descreveu esta terceira fase como a mais difícil até agora, porque o governo tem tido dificuldade em ceder. Sobre a exigência governista de que as sanções internacionais sejam suspensas, foi categórica: "Eles pedem coisas que às vezes não podemos fazer, nós não suspendemos sanções".
Em 9 de outubro, Figuera se reuniu em Washington com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que elogiou os "progressos tangíveis" das duas primeiras rodadas e a instou a seguir avançando em liberdades políticas e reforma eleitoral.
Pressão de fora da mesa
As organizações que acompanham o processo de fora pedem mais do que uma troca de nomes. O Foro Penal afirmou em 20 de outubro que a renovação do TSJ precisa vir acompanhada de mudanças estruturais, entre elas a revogação de leis repressivas; seu vice-presidente, Gonzalo Himiob, cobrou ainda uma reforma do Código Penal.
A oposição que não participa das conversas convocou uma marcha nacional para exigir eleições presidenciais em 2027, o retorno de Machado ao país e a libertação de 322 presos políticos. O chavismo convocou mobilização própria para a mesma data.
Até o fechamento desta edição não haviam sido divulgados os acordos concretos da terceira rodada nem a data da seguinte. As partes haviam antecipado que anunciariam novos entendimentos sobre direitos políticos e civis ao fim desta fase.
Com informações de Infobae, EFE, El Nacional e swissinfo.ch.




