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Política

Chefe da delegação oposicionista no diálogo venezuelano quer eleição presidencial "pelo menos no fim do ano que vem"

Dinorah Figuera disse que os novos ministros do Tribunal Supremo de Justiça precisam ser nomeados "no mais tardar em dezembro" e que o primeiro passo é depurar o cadastro eleitoral

Por Redação RecortNews
O Palácio Federal Legislativo, sede da Assembleia Nacional da Venezuela, em frente à Plaza Bolívar de Caracas, em 2011.
O Palácio Federal Legislativo, sede da Assembleia Nacional da Venezuela, em frente à Plaza Bolívar de Caracas, em 2011.Foto: Javiermartinez76/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

A terceira rodada de conversas entre o chavismo e um setor da oposição venezuelana terminou nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, depois de uma semana de reuniões dedicadas às garantias políticas e civis para um eventual processo eleitoral. No mesmo dia, a chefe da delegação oposicionista na mesa, a ex-deputada Dinorah Figuera, deu uma data provisória para o que considera o objetivo final do processo: uma eleição presidencial "pelo menos no fim do ano que vem".

Figuera fez a afirmação em entrevista ao jornal El Nacional, reproduzida pela agência EFE. Disse-se "otimista" quanto à possibilidade de o país voltar às urnas em 2027, mas condicionou o calendário a uma reforma prévia do sistema de votação.

"Depuração do cadastro eleitoral"

"A primeira coisa que devemos fazer é uma depuração do cadastro eleitoral, do sistema", disse Figuera, que afirmou que os assessores da delegação detectaram irregularidades na lista de eleitores. A essa tarefa somou outra condição: que os partidos de oposição recuperem seus registros eleitorais, hoje em sua maioria suspensos, sem os quais não poderiam lançar candidatos.

A dirigente disse esperar um relatório eleitoral em dezembro e colocou no mesmo mês o prazo para a nomeação dos novos ministros do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ, a corte suprema venezuelana): "no mais tardar em dezembro". A renovação completa do TSJ foi o eixo das duas primeiras rodadas, realizadas em agosto e setembro, ao lado da liberação do ouro venezuelano depositado na Inglaterra e da suspensão de bloqueios a portais de internet, incluindo sites de notícias.

O Parlamento, de maioria chavista, avança em paralelo na escolha de 12 representantes da sociedade civil e 11 deputados para o Comitê de Indicações Judiciais, instância que avalia os candidatos às vagas na corte.

Uma mesa sem Machado nem González Urrutia

O diálogo começou em 14 de outubro e é impulsionado pelos Estados Unidos como parte de seu plano de transição para a Venezuela após a captura de Nicolás Maduro em janeiro. Do lado do governo participa a administração da presidente em exercício, Delcy Rodríguez; o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, esteve na sessão de abertura.

Nem María Corina Machado nem Edmundo González Urrutia integram a mesa, ausência que delimita o alcance político do processo: quem negocia é um setor da oposição, não o conjunto dela.

Figuera descreveu esta terceira fase como a mais difícil até agora, porque o governo tem tido dificuldade em ceder. Sobre a exigência governista de que as sanções internacionais sejam suspensas, foi categórica: "Eles pedem coisas que às vezes não podemos fazer, nós não suspendemos sanções".

Em 9 de outubro, Figuera se reuniu em Washington com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que elogiou os "progressos tangíveis" das duas primeiras rodadas e a instou a seguir avançando em liberdades políticas e reforma eleitoral.

Pressão de fora da mesa

As organizações que acompanham o processo de fora pedem mais do que uma troca de nomes. O Foro Penal afirmou em 20 de outubro que a renovação do TSJ precisa vir acompanhada de mudanças estruturais, entre elas a revogação de leis repressivas; seu vice-presidente, Gonzalo Himiob, cobrou ainda uma reforma do Código Penal.

A oposição que não participa das conversas convocou uma marcha nacional para exigir eleições presidenciais em 2027, o retorno de Machado ao país e a libertação de 322 presos políticos. O chavismo convocou mobilização própria para a mesma data.

Até o fechamento desta edição não haviam sido divulgados os acordos concretos da terceira rodada nem a data da seguinte. As partes haviam antecipado que anunciariam novos entendimentos sobre direitos políticos e civis ao fim desta fase.

Com informações de Infobae, EFE, El Nacional e swissinfo.ch.