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Política

Itamaraty acusa Milei de tentativa de ingerência externa na eleição brasileira, a quatro dias do segundo turno

Nota do Ministério das Relações Exteriores responde a publicações do presidente argentino contra Lula, a urna eletrônica e o Judiciário; o Brasil está sem embaixador em Buenos Aires desde agosto.

Por Redação RecortNews
O Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, em 2020.
O Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, em 2020.Foto: Fwsbsb/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O Ministério das Relações Exteriores divulgou na noite de terça-feira (20) uma nota de repúdio a novos ataques do presidente da Argentina, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao sistema eletrônico de votação e ao Judiciário brasileiro. Para o Itamaraty, as declarações constituem "nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro".

A manifestação chega a quatro dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25), em que Lula (PT) tenta a reeleição contra Flávio Bolsonaro (PL).

O que diz a nota

O texto afirma que Milei reitera "mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições" e trata as declarações como incompatíveis com a conduta esperada de um chefe de Estado de país vizinho e amigo. O ministério classifica a fala do argentino como "desequilibrada" e associa as alegações à contestação do resultado de 2022, sem nomear Jair Bolsonaro.

Sobre a urna, a nota é direta: o sistema eletrônico de votação brasileiro "é comprovadamente seguro" e nunca registrou irregularidade — avaliação que, segundo o Itamaraty, foi endossada por observadores internacionais que acompanharam o primeiro turno deste ano.

O trecho final devolve a palavra ao eleitor. "A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro", diz o documento, que afirma que o país vota no domingo sem interferência externa.

O que Milei publicou

Nas redes sociais, Milei compartilhou um trecho da entrevista de Lula ao SBT, na noite anterior, e escreveu esperar que o "último truque de campanha suja" não incluísse roubar a eleição. Também repostou um recorte do debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, realizado no domingo (18), ao chamar o presidente brasileiro de "autoritário adorado pelos progressistas locais". Milei é aliado declarado da família Bolsonaro.

Uma relação já rebaixada

O atrito não é novo, e a nota cai sobre uma relação diplomática que já havia sido reduzida. Desde agosto o Brasil não tem embaixador em Buenos Aires, e o embaixador argentino foi orientado a deixar Brasília: as duas capitais são representadas hoje por encarregados de negócios.

Em 26 de julho, o embaixador do Brasil na Argentina, Bitelli, foi chamado de volta a Brasília depois de Milei chamar Lula de "presidiário" na convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Na mesma ocasião, o argentino atacou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, relator do processo que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

O desgaste político corre em paralelo a uma relação econômica difícil de desfazer: o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, e as duas economias são integradas sobretudo nas cadeias automotiva e industrial — o que explica por que o rebaixamento diplomático, até aqui, não veio acompanhado de medidas comerciais.

Não havia, até a publicação desta reportagem, resposta oficial do governo argentino à nota brasileira.

Com informações da Agência Brasil e do Estado de Minas.