O Brasil lançou na atmosfera 1,41 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente (CO2e) em 2025, descontado o carbono reabsorvido por florestas e áreas em regeneração. É uma queda de 9% em relação a 2024 e o menor volume líquido desde 2012. O número está na 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), levantamento do Observatório do Clima apresentado nesta quarta-feira (21).
A emissão bruta, que não faz esse desconto, somou 2,06 bilhões de toneladas, contra 2,19 bilhões no ano anterior — recuo de 6% e o patamar mais baixo desde 2018.
A conta caiu na floresta, e quase só nela
A mudança de uso da terra — o que entra na conta quando se derruba mata para abrir pasto ou lavoura — emitiu 814 milhões de toneladas brutas em 2025, 15% menos que as 957 milhões de 2024. No saldo líquido, a diferença é bem maior: de 311 milhões para 162 milhões de toneladas, uma queda de 48% e o menor valor de toda a série do SEEG.
Ainda assim, o setor segue sendo o maior emissor bruto do país, com 39% do total.
Os demais setores não acompanharam:
- agropecuária: 626 milhões de toneladas, praticamente estável (-0,1%), equivalentes a 30% do bruto;
- energia: 427 milhões de toneladas, alta de 1,2% sobre as 422 milhões de 2024, ou 21% do total;
- resíduos: 96 milhões de toneladas, alta de 3,6% — a maior variação positiva do levantamento;
- processos industriais: cerca de 94 milhões de toneladas, alta de 0,2%.
Dentro do setor de energia, os pesquisadores apontaram o transporte como ponto fora da curva. "As emissões dos transportes seguem batendo recorde histórico", disse Ingrid Graces, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), na apresentação dos dados.
Perto da meta, mas acima dela
O compromisso climático que o Brasil assumiu em sua primeira NDC — a meta nacional apresentada ao acordo de Paris, revisada em 2023 — previa emissões líquidas de 1,32 bilhão de toneladas de CO2e em 2025. Com 1,41 bilhão, o país ficou cerca de 85 milhões de toneladas acima do teto, uma diferença de aproximadamente 6%.
A segunda NDC, apresentada em 2025, estabelece uma faixa de 850 milhões a 1,05 bilhão de toneladas para 2030. Ou seja: o ritmo que fez a emissão líquida cair quase um décimo em um ano precisa continuar, e agora em setores que não dependem do desmatamento.
É o que pondera o coordenador do SEEG, David Tsai, pesquisador do Iema: a redução acumulada é, nas palavras dele, "um feito digno de nota" — "nos últimos quatro anos, o Brasil correu atrás do prejuízo e cortou em um quarto as suas emissões brutas". Tsai também avaliou que o corte no desmatamento é "uma grande vitória", mas alertou que as metas futuras ficam difíceis se os outros setores não começarem a reduzir.
O que os dados preliminares de 2026 indicam
Estimativas iniciais do Observatório do Clima apontam, para 2026, emissão líquida negativa na mudança de uso da terra — cerca de -24 milhões de toneladas, o primeiro valor negativo da série, resultado da combinação entre menos desmatamento e mais área em regeneração. Com isso, o total do ano projetado pela entidade é de 1,23 bilhão de toneladas, dentro do que a meta pedia.
Em termos individuais, a emissão bruta brasileira foi de 9,6 toneladas por habitante em 2025. Excluído o desmatamento, cai para 5,8 toneladas — abaixo da média mundial de 6,3 toneladas por pessoa ao ano citada no relatório.
Com informações do SEEG/Observatório do Clima, da Agência Brasil e do #Colabora.




