O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos confirmou a morte de um funcionário iemenita mantido preso pelos houthis desde junho de 2024 e cobrou do grupo uma investigação independente sobre o caso. Mohammed al-Shami, que trabalhava no escritório da organização no Iêmen, foi detido em 6 de junho de 2024, numa onda de prisões que atingiu outros treze funcionários das Nações Unidas no país.
A família soube da morte apenas recentemente, mais de um mês depois de ela ter ocorrido, e não recebeu nenhuma explicação sobre como ou por que ele morreu. Nem a data exata nem a causa foram divulgadas.
O que a ONU pede
O alto comissário Volker Türk classificou a morte como devastadora e cobrou dos houthis uma apuração urgente, independente e completa, com transparência total: liberação dos registros médicos e de detenção, preservação das provas e exame independente de qualquer causa de morte que o grupo venha a apresentar.
"Eles merecem saber a verdade", disse Türk a respeito da família, segundo a ONU News. O alto comissário afirmou ainda que "em nenhuma circunstância" funcionários das Nações Unidas podem ser detidos e que "é preciso haver responsabilização" por irregularidades.
Türk disse também que o caso levanta dúvidas sobre a segurança do pessoal da ONU e sobre a própria capacidade da organização de continuar operando nas áreas sob controle houthi — um ponto prático, e não apenas retórico: a ONU é a espinha dorsal da ajuda humanitária no Iêmen, onde o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) calcula que mais de 22 milhões de pessoas precisem de assistência este ano.
71 detidos, sete do escritório de direitos humanos
As Nações Unidas informaram em meados de outubro que 71 de seus funcionários estavam detidos pelos houthis. Sete deles são do próprio escritório de direitos humanos, segundo Türk, que renovou o pedido de libertação imediata e sem condições. Em 9 de outubro, o enviado especial Hans Grundberg disse ao Conselho de Segurança que muitos dos detidos têm problemas graves de saúde.
Os houthis acusam funcionários presos de espionagem para os Estados Unidos e Israel, imputação que no Iêmen pode levar à pena de morte. As Nações Unidas rejeitam a acusação. Até a publicação desta reportagem, o grupo não havia divulgado versão própria sobre a morte de al-Shami.
Esta é a segunda morte conhecida de um funcionário da ONU sob custódia houthi. Um funcionário iemenita do Programa Mundial de Alimentos detido em janeiro de 2025 morreu no mês seguinte em uma prisão no norte do país, e a organização suspendeu suas atividades em Saada depois do episódio. Em junho, o Conselho de Segurança condenou a manutenção das detenções, que alcançam também trabalhadores humanitários e representantes da sociedade civil.
O ministro iemenita de Direitos Humanos, Mashdal Omar, responsabilizou integralmente os houthis pelo "sequestro, desaparecimento e morte" de al-Shami e pediu que as Nações Unidas ajam com mais firmeza para libertar os funcionários presos.
Com informações da ONU News e do Arab News.




