Abdullah Öcalan, fundador do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), foi transferido para uma ala recém-construída da prisão de İmralı, na ilha do Mar de Mármara onde está detido desde 1999. A mudança foi anunciada no sábado, 31 de outubro, pelo deputado Mithat Sancar, do Partido da Igualdade e Democracia dos Povos (DEM), em entrevista à emissora Medya Haber.
Sancar não deu detalhes sobre o novo setor nem disse se as acomodações são melhores que as anteriores. O governo turco não confirmou publicamente a transferência.
Por que isso importa na negociação
Melhorar as condições de detenção de Öcalan — hoje o único preso da ilha — é uma das principais exigências curdas no processo que busca encerrar um conflito armado de 42 anos. É também um dos poucos gestos que o Estado turco pode fazer sem mudar a lei, o que explica por que cada alteração no regime da prisão é lida como sinal político.
Para Sancar, a transferência "exige uma aceleração do processo" de paz. O deputado afirmou que a iniciativa oficialmente chamada de "Turquia livre de terrorismo" está "em pausa" há dois meses e pediu que o governo retome o ritmo.
A linha do tempo
Öcalan foi capturado em 1999 e cumpre prisão perpétua em İmralı. Em fevereiro de 2025, de dentro da cadeia, ele pediu ao PKK que se dissolvesse e entregasse as armas. Três meses depois, o grupo anunciou que deporia as armas e encerraria as hostilidades.
Em agosto, o Parlamento turco aprovou uma legislação que prevê perdão condicional a parte dos integrantes do PKK, sancionada pelo presidente Recep Tayyip Erdoğan. Desde então, porém, o processo perdeu velocidade — e é essa estagnação que o deputado curdo cobra agora.
O conflito entre o Estado turco e o PKK começou em 1984 e deixou dezenas de milhares de mortos. O grupo é classificado como organização terrorista pela Turquia, pelos Estados Unidos e pela União Europeia.
Com informações do Hürriyet Daily News e do Morning Star.




