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Turquia transfere Abdullah Öcalan para ala nova da prisão de İmralı, onde ele está preso desde 1999

O deputado curdo Mithat Sancar anunciou a mudança no sábado e disse que a iniciativa de paz está "em pausa" há dois meses; o governo não confirmou a transferência

Por Redação RecortNews
A ilha de İmralı, no Mar de Mármara, onde funciona a prisão em que Abdullah Öcalan está detido desde 1999, em imagem de satélite de 2013.
A ilha de İmralı, no Mar de Mármara, onde funciona a prisão em que Abdullah Öcalan está detido desde 1999, em imagem de satélite de 2013.Foto: USGS/Wikimedia Commons, domínio público

Abdullah Öcalan, fundador do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), foi transferido para uma ala recém-construída da prisão de İmralı, na ilha do Mar de Mármara onde está detido desde 1999. A mudança foi anunciada no sábado, 31 de outubro, pelo deputado Mithat Sancar, do Partido da Igualdade e Democracia dos Povos (DEM), em entrevista à emissora Medya Haber.

Sancar não deu detalhes sobre o novo setor nem disse se as acomodações são melhores que as anteriores. O governo turco não confirmou publicamente a transferência.

Por que isso importa na negociação

Melhorar as condições de detenção de Öcalan — hoje o único preso da ilha — é uma das principais exigências curdas no processo que busca encerrar um conflito armado de 42 anos. É também um dos poucos gestos que o Estado turco pode fazer sem mudar a lei, o que explica por que cada alteração no regime da prisão é lida como sinal político.

Para Sancar, a transferência "exige uma aceleração do processo" de paz. O deputado afirmou que a iniciativa oficialmente chamada de "Turquia livre de terrorismo" está "em pausa" há dois meses e pediu que o governo retome o ritmo.

A linha do tempo

Öcalan foi capturado em 1999 e cumpre prisão perpétua em İmralı. Em fevereiro de 2025, de dentro da cadeia, ele pediu ao PKK que se dissolvesse e entregasse as armas. Três meses depois, o grupo anunciou que deporia as armas e encerraria as hostilidades.

Em agosto, o Parlamento turco aprovou uma legislação que prevê perdão condicional a parte dos integrantes do PKK, sancionada pelo presidente Recep Tayyip Erdoğan. Desde então, porém, o processo perdeu velocidade — e é essa estagnação que o deputado curdo cobra agora.

O conflito entre o Estado turco e o PKK começou em 1984 e deixou dezenas de milhares de mortos. O grupo é classificado como organização terrorista pela Turquia, pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

Com informações do Hürriyet Daily News e do Morning Star.