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Piratas somalis tomam pesqueiro iraniano com 23 pessoas a bordo, e centro de segurança marítima alerta para uso do barco como "base flutuante"

O Azini foi sequestrado na quinta-feira entre Bandar Bayla e Hafun, no nordeste da Somália, com 21 tripulantes iranianos e dois seguranças somalis

Por Redação RecortNews
Militares americanos ordenam que ocupantes de um esquife com suspeitos de pirataria levantem as mãos antes da abordagem, no Golfo de Áden, em fevereiro de 2010.
Militares americanos ordenam que ocupantes de um esquife com suspeitos de pirataria levantem as mãos antes da abordagem, no Golfo de Áden, em fevereiro de 2010.Foto: Elizabeth Allen/Marinha dos Estados Unidos, via Wikimedia Commons, domínio público

Piratas somalis tomaram o pesqueiro iraniano Azini na quinta-feira, entre as cidades costeiras de Bandar Bayla e Hafun, no nordeste da Somália, com 23 pessoas a bordo — 21 tripulantes iranianos e dois seguranças somalis. Um oficial da Força de Polícia Marítima de Puntlândia disse que doze piratas participaram do ataque. O paradeiro e a situação das pessoas a bordo não eram conhecidos.

Em alerta divulgado no sábado, o Centro de Segurança Marítima do Oceano Índico (MSCIO) informou que o barco se aproximava de uma rota de navegação comercial e advertiu que ele pode se transformar em "base flutuante" para novos ataques — um navio-mãe capaz de levar os piratas a centenas de quilômetros da costa e de abastecer assaltos a cargueiros e petroleiros. O centro pediu vigilância redobrada às embarcações na região. A Operação Atalanta, a força naval da União Europeia no Oceano Índico, investiga o caso.

Por que um pesqueiro vira arma

A tática não é nova e explica por que o sequestro de um barco de pesca preocupa mais do que o tamanho da embarcação sugere. Sem autonomia para operar longe da costa em esquifes pequenos, os piratas usam navios tomados como plataforma: eles ampliam o raio de ação, dão cobertura — porque um pesqueiro em rota normal não desperta suspeita — e transformam a tripulação em escudo contra abordagens militares.

O retorno de um problema que parecia resolvido

Uma década de patrulhas navais internacionais e de reforço na segurança das embarcações havia reduzido drasticamente a pirataria somali. Desde abril, no entanto, piratas sequestraram seis navios comerciais, alguns deles bem distantes da costa somali. Entre os casos está o petroleiro de derivados Sibu 1, tomado a cerca de 136 milhas náuticas a leste de Al-Mukalla, no Iêmen.

O episódio mais grave foi o do petroleiro MT Honour 25, mantido em poder dos piratas desde abril: em setembro, cinco tripulantes foram mortos antes de as forças de segurança recuperarem o navio, e 16 suspeitos foram detidos.

A retomada coincide com um período de forte perturbação na navegação da região. Ataques no Estreito de Ormuz e as ameaças houthis nas imediações do Bab al-Mandab alongaram rotas e encareceram o frete de petroleiros, empurrando embarcações para áreas menos patrulhadas — o tipo de deslocamento em que a pirataria costuma encontrar espaço.

Com informações do Arab News e do Morning Star.