O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou no sábado, 31 de outubro de 2026, que o presidente Donald Trump ainda não decidiu se autoriza novos ataques militares ao Irã — mesmo com negociadores iranianos reunidos em Doha com mediadores do Catar em torno de uma proposta que reabriria o Estreito de Ormuz em dois dias.
Rubio falou durante a reunião do G20 em Atlanta. Disse que os Estados Unidos "podem alcançar objetivos militares se decidirmos buscá-los", mas que o país está aberto a uma saída diplomática. Perguntado se as conversas haviam travado, respondeu: "As conversas na verdade nunca pararam." Acrescentou que não conhece prazo para o canal conduzido pelo Catar.
O conflito, que o Pentágono chama de Operation Epic Fury (Fúria Épica) e que começou com bombardeios americanos em 28 de fevereiro, está em seu oitavo mês. Deixou o principal gargalo do petróleo mundial funcionando apenas em parte e mantém um bloqueio naval americano diante dos portos iranianos.
O que Teerã oferece
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse que o plano discutido com os mediadores cataris reabriria o Estreito de Ormuz em dois dias e retomaria as negociações diretas com Washington — desde que os Estados Unidos cumpram uma lista de condições. Segundo ele, são estas: suspender as sanções impostas nos últimos meses; restabelecer as isenções de exportação de petróleo concedidas em junho; reduzir a presença militar americana na região; reconhecer as novas rotas de navegação designadas pelo Irã e por Omã; e encerrar os combates em todas as frentes, inclusive os ataques israelenses no Líbano.
Uma delegação iraniana que incluía um assessor de Araghchi viajou a Doha no sábado, depois de autoridades cataris terem estado em Teerã no começo da semana. O Paquistão também atua como mediador — seu chefe do Exército, o marechal de campo Asim Munir, já fez várias viagens a Teerã. Doha e Islamabad costuraram o memorando de entendimento assinado em junho, que desmoronou em agosto.
Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmou que o vice-presidente americano, JD Vance, lhe enviou uma carta durante a semana e que o tom dela havia "mudado completamente" em relação à correspondência anterior. Rezaei disse ainda que Washington sinalizou disposição de aceitar as condições iranianas. Os Estados Unidos não confirmaram essa afirmação.
Trump mantém a opção militar na mesa
No sábado, Trump disse que as negociações estavam "indo bem", mas descreveu Teerã como "não muito confiável". Afirmou que as forças americanas danificaram a Marinha, a Força Aérea e as defesas antiaéreas iranianas, que restam apenas "1 ou 2 alvos" na lista — citando o complexo nuclear subterrâneo conhecido como Pickaxe Mountain — e que o que falta pode ser feito "muito rapidamente".
"Não estamos com tanta pressa", disse. Na sexta-feira havia previsto que a guerra terminaria "muito em breve", repetindo que "o Irã não pode ter uma arma nuclear". Mais de uma vez sugeriu que uma nova rodada de ataques poderia vir depois das eleições de meio de mandato de 3 de novembro, a única data firme hoje associada ao conflito.
O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, ordenou às Forças Armadas que preparem resposta imediata a qualquer novo ataque, sem limite geográfico, e que ampliem a lista de alvos americanos e israelenses. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que perdeu a maioria parlamentar na eleição da semana passada e segue no cargo de forma interina, chamou o momento de "oportunidade histórica e única" para eliminar a ameaça iraniana.
O estreito em números
O US Central Command (Centcom, o comando militar americano para a região) informou no sábado que suas forças já redirecionaram 144 embarcações comerciais desde o início do bloqueio. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que o tráfego pelo estreito está perto dos níveis anteriores à guerra quando se exclui o petróleo iraniano.
O custo para as forças americanas é alto. Uma análise da Associated Press apontou que, até agosto, mais de 115 ataques iranianos ou de grupos aliados com drones e mísseis danificaram estruturas em 26 locais usados por tropas americanas; a base aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, foi atingida pelo menos 30 vezes. Sean Parnell, porta-voz do Pentágono, disse que os militares americanos na região estão "bem protegidos".
Cerca de um quinto do petróleo transportado por mar no mundo passa normalmente pelo estreito, que tem aproximadamente 34 km no ponto mais estreito. É por isso que uma reabertura de dois dias está sendo negociada com a mesma seriedade de um cessar-fogo.
Com informações da Al Jazeera e da Fox News, que citaram a Associated Press, o Wall Street Journal e o US Central Command.




