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Economia

Governo bloqueia R$ 1,6 bilhão do Orçamento para caber no arcabouço

Sem contingenciamento: com superávit primário projetado em R$ 3,5 bilhões, a equipe econômica usou o limite inferior da meta

Cédulas de R$ 100, da moeda brasileira
Cédulas de R$ 100, da moeda brasileiraFoto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

O Orçamento de 2026 terá um bloqueio de R$ 1,6 bilhão em gastos não obrigatórios, informaram os ministérios da Fazenda e do Planejamento. O valor consta do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, documento enviado ao Congresso a cada dois meses para orientar a execução orçamentária.

Por que bloquear

O bloqueio serve para cumprir o limite de gastos do arcabouço fiscal, que permite crescimento das despesas de até 2,5% acima da inflação neste ano. Segundo os dois ministérios, foi necessário porque o governo terá de abrir crédito para acomodar o crescimento de gastos obrigatórios.

Vale a distinção, porque os dois termos costumam ser usados como sinônimos e não são:

  • Bloqueio — corta gasto não obrigatório para respeitar o teto de despesas.
  • Contingenciamento — congela recursos temporariamente para alcançar a meta de resultado primário.

O relatório não traz previsão de contingenciamento.

A conta que dispensou o contingenciamento

A projeção de superávit primário está em R$ 3,5 bilhões, sustentada principalmente pela alta de R$ 16,7 bilhões nas previsões de receita com royalties, com a disparada dos preços do petróleo após o início da guerra no Oriente Médio.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias estabelece meta de superávit primário de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB. A equipe econômica, porém, considerou o limite inferior de tolerância, que admite déficit zero neste ano. Com superávit projetado de R$ 3,5 bilhões, não é preciso contingenciar.

Ou seja: a meta formal continua alta, e o que dispensou o congelamento foi o piso da banda, não o centro dela.

O detalhamento

A distribuição do R$ 1,6 bilhão será detalhada no dia 31, quando o governo publicar decreto presidencial com os limites de empenho — a autorização para gastar — por ministério e órgão federal.


Com informações da Agência Brasil. Reportagem original de Wellton Máximo, publicada em 24 de março de 2026.