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Política

Governo Trump defende Viktor Orbán para secretário-geral da ONU, e a Rússia responde que não vai indicá-lo

O mandato de António Guterres termina em 31 de dezembro; o Conselho de Segurança tem prévia marcada para quarta-feira, e um candidato precisa de 9 dos 15 votos sem veto de nenhum dos cinco permanentes

Por Redação RecortNews
Viktor Orbán discursa na praça Kossuth, em Budapeste, em 15 de março de 2012, quando era primeiro-ministro da Hungria.
Viktor Orbán discursa na praça Kossuth, em Budapeste, em 15 de março de 2012, quando era primeiro-ministro da Hungria.Foto: Derzsi Elekes Andor/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

Autoridades do governo de Donald Trump estão articulando a candidatura do ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo reportagem do Wall Street Journal publicada nesta segunda-feira (26) e repercutida pela Euronews e pelo Jerusalem Post. A ideia, de acordo com o jornal, é apresentá-lo como nome conjunto de Estados Unidos, Rússia e China — os três membros permanentes do Conselho de Segurança que mais vezes travaram decisões uns dos outros na última década.

Nenhuma decisão foi tomada, e não há candidatura anunciada. Procurado pela Euronews, o porta-voz de Orbán não respondeu. O próprio Orbán, segundo o Wall Street Journal, só entraria na disputa se a vitória estivesse assegurada — o que, pela avaliação do próprio jornal, hoje parece improvável.

A conta no Conselho de Segurança

O cargo não se ganha por aclamação. O Conselho de Segurança recomenda um nome à Assembleia Geral, e para isso o candidato precisa de ao menos 9 dos 15 votos, sem o veto de nenhum dos cinco membros permanentes — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.

Uma autoridade do Departamento de Estado americano estimou ao Wall Street Journal que oito dos 15 membros apoiariam Orbán "facilmente", e possivelmente até dez. A mesma fonte o chamou de "candidato dos sonhos para os conservadores MAGA". A dúvida central, nessa aritmética, são França e Reino Unido: a reportagem sugere que os dois poderiam não bloquear um nome respaldado pela maioria do Conselho e pelos outros três permanentes, mas nenhum dos dois tomou posição oficial.

O mandato do atual secretário-geral, António Guterres, no cargo desde 2017, termina em 31 de dezembro. Uma prévia informal de votação no Conselho de Segurança está marcada para quarta-feira. Na semana passada, a diplomata emiradense Lana Nusseibeh entrou na corrida e, segundo a apuração, vem ganhando força.

Moscou desmente a mecânica

A primeira reação oficial relevante veio da Rússia, e foi de recuo. O vice-ministro das Relações Exteriores Aleksandr Alimov disse à agência Interfax que Rússia, Estados Unidos e China não vão indicar Orbán, porque membros permanentes não apresentam candidatos. Se as informações forem verdadeiras, acrescentou, quem apoia o húngaro precisa encontrar um país que o indique. "Vamos discutir todas as pessoas oficialmente indicadas para o posto de secretário-geral", afirmou.

A ressalva é técnica, mas não é pequena: ela não nega simpatia pelo nome, nega o formato. Uma candidatura precisa de um Estado-membro que a apresente, e nenhum se ofereceu publicamente.

As reações europeias foram mais diretas. O chanceler polonês, Radosław Sikorski, escreveu em rede social que não prevê que a Polônia apoie a candidatura de Orbán. O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, publicou no X que o húngaro levaria ao cargo suas "magistrais habilidades de veto e chantagem", acumuladas em anos de obstrução a decisões importantes da União Europeia.

Quem é o candidato cogitado

Orbán governou a Hungria por 16 anos com maioria absoluta e perdeu o poder na eleição parlamentar de abril de 2026, derrotado pelo partido Tisza, de Péter Magyar. Seu governo foi alvo de críticas na União Europeia e na Otan por políticas de extrema direita, antimigração e eurocéticas e por retrocessos no Estado de direito — ao mesmo tempo que mantinha relações próximas com Trump, Vladimir Putin e Xi Jinping.

Desde a derrota, autoridades húngaras investigam fraude e corrupção envolvendo ex-integrantes de seu governo. Dois ex-ministros e o ex-presidente do banco central estão presos, e as investigações podem alcançar a eventual participação de Orbán. Em maio, o portal VSquare apontou que o cargo na ONU poderia interessar ao ex-premiê justamente pela imunidade diplomática que acompanha o posto.

Segundo o Jerusalem Post, Orbán demonstrou interesse, mas tem reservas quanto à própria imagem nacionalista, e qualquer anúncio ficaria para depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

Com informações da Euronews e do Jerusalem Post, com base em reportagem do Wall Street Journal.