Pular para o conteúdo
RecortNews
Economia

Inflação da zona do euro sobe a 4,0% em outubro, a maior taxa em mais de três anos

A energia subiu 20,8% em doze meses e responde por cerca de 1,9 ponto do índice, enquanto o núcleo da inflação ficou parado em 2,5%

Por Redação RecortNews
A sede do Banco Central Europeu e o horizonte de Frankfurt, na Alemanha, em 2015.
A sede do Banco Central Europeu e o horizonte de Frankfurt, na Alemanha, em 2015.Foto: DXR/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A inflação anual da zona do euro subiu a 4,0% em outubro, contra 3,8% em setembro, segundo a estimativa rápida do Eurostat divulgada nesta quarta-feira (4). É a maior taxa registrada no bloco em mais de três anos. Na comparação mensal, os preços avançaram 0,4%.

O número chama atenção menos pelo tamanho do que pela composição. Praticamente todo o avanço vem de uma única rubrica, e o restante do índice segue onde estava.

A energia carrega o índice quase sozinha

Os preços de energia subiram 20,8% em doze meses, contra 18,9% em setembro, e 1,4% apenas no mês. Com um peso de cerca de 9% na cesta usada pelo Eurostat, essa alta responde por aproximadamente 1,9 ponto percentual dos 4,0% — ou seja, quase metade do índice.

As demais rubricas se mexeram pouco:

  • serviços: 3,3%, contra 3,2% em setembro;
  • alimentos, álcool e tabaco: 1,6%, contra 1,3%;
  • alimentos não processados: 4,6%, contra 4,0%;
  • bens industriais não energéticos: 1,2%, contra 1,1%.

O núcleo da inflação, que exclui energia e alimentos e é o indicador que os bancos centrais acompanham para medir pressão de preços mais duradoura, ficou em 2,5%, o mesmo patamar de setembro. É a terceira leitura seguida sem mudança nesse recorte — um sinal de que o choque, até aqui, está concentrado na fatura de energia e não se espalhou pelo resto da economia.

Itália a 5,6%, Alemanha a 2,8%

A média do bloco esconde uma dispersão grande. Dez países ficaram no nível da média de 4,0% ou acima dela, e seis chegaram a 5% ou mais:

  • Lituânia: 6,1% (estável);
  • Bulgária: 6,0% (de 5,6%);
  • Grécia: 5,6%;
  • Itália: 5,6% (de 4,2%);
  • Chipre: 5,4%;
  • Bélgica: 5,2% (de 4,5%).

A Itália teve a maior aceleração anual e também a maior alta mensal do bloco, de 1,2%. No outro extremo, Malta registrou a menor taxa, 2,3%, seguida pela Alemanha, com 2,8% — queda frente aos 3,3% de setembro, atribuída principalmente ao corte no imposto sobre combustíveis que entrou em vigor em 1º de outubro e vale até o fim do ano.

Entre as maiores economias, a Espanha marcou 4,9% (de 5,0%), a França 3,8% (de 3,4%) e Portugal 3,9% (de 3,6%). Luxemburgo registrou 4,9%, a Finlândia 3,4%, a Estônia 3,6% e a Eslováquia 2,9%.

O que isso significa para os juros

O Banco Central Europeu (BCE) manteve seus juros inalterados na reunião de 29 de outubro, com a taxa de depósito em 2,50%, depois de duas elevações ao longo de 2026 — em junho e em setembro. Na ocasião, a instituição citou entre os riscos o conflito no Oriente Médio, a guerra da Rússia contra a Ucrânia, interrupções prolongadas no fornecimento de energia e novas tensões comerciais entre grandes economias.

Com o índice de outubro, analistas de mercado passaram a atribuir probabilidade alta a uma nova alta de juros na reunião de dezembro. A leitura do núcleo em 2,5%, porém, é o argumento de quem defende esperar: ela indica que a aceleração não vem da demanda interna, e juros mais altos atuam justamente sobre essa parte do índice.

O Eurostat publica os dados definitivos de outubro ainda neste mês.

Com informações do Eurostat, da Euronews e da GMK Center.