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Mais de 100 policiais ficam feridos na Alemanha depois que protestos da geração Z terminam em saques em Frankfurt

Em Frankfurt, 54 pessoas de 13 a 29 anos foram detidas, 17 lojas danificadas e cinco saqueadas; em Berlim, 27 policiais tiveram ferimentos leves e cerca de 60 pessoas foram presas.

Por Redação RecortNews
Manifestação pacífica do movimento "Gen Z regelt" na Porta de Brandemburgo, em Berlim, na tarde de 31 de outubro de 2026.
Manifestação pacífica do movimento "Gen Z regelt" na Porta de Brandemburgo, em Berlim, na tarde de 31 de outubro de 2026.Foto: Roy Zuo/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O governo alemão informou que pelo menos 100 policiais ficaram feridos no fim de semana, depois que manifestações convocadas pelo movimento juvenil "Gen Z regelt" — algo como "a geração Z resolve" — terminaram em confrontos e saques em várias cidades do país na noite de sábado (31).

Os atos começaram pacíficos à tarde. Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de dezenas de cidades alemãs para pedir mais investimento em educação, o fim do serviço militar obrigatório e medidas contra a alta do custo de vida. A virada aconteceu depois do anoitecer.

Frankfurt: 17 lojas danificadas, cinco saqueadas

Em Frankfurt, cerca de 8 mil pessoas participaram da manifestação, segundo a Euronews, e os organizadores se dissociaram da violência que veio depois. Grupos encapuzados quebraram vitrines na Zeil, a principal rua de comércio da cidade, e atacaram uma loja de armas — a polícia apreendeu dois armamentos. Coquetéis molotov, pedras e garrafas foram lançados contra equipes de emergência.

A polícia contabilizou 17 lojas danificadas, cinco delas saqueadas, e 54 pessoas detidas, com idades entre 13 e 29 anos. Foram mobilizados 1.300 agentes, com unidades especiais, canhões d'água, veículos blindados e um helicóptero. A situação só se acalmou na madrugada de domingo, e o prejuízo material é considerável.

O ministro do Interior do Estado de Hesse, Roman Poseck, disse que mais de 100 policiais se feriram nos confrontos e estimou entre 1.000 e 1.500 o número de pessoas envolvidas na violência. "As coisas não podem continuar assim", afirmou. Segundo ele, a maioria dos detidos é de nacionalidade alemã. O premiê de Hesse, Boris Rhein, condenou a violência e disse que os responsáveis terão de responder por ela.

Berlim, Hamburgo e Colônia

Em Berlim, a polícia estimou cerca de 3.500 pessoas em uma marcha juvenil que saiu da Rosenthaler Platz em direção ao Prenzlauer Berg, com a adesão de manifestantes pró-palestinos e antifascistas. Houve sinalizadores e rojões, 27 policiais sofreram ferimentos leves e quase 60 pessoas foram presas.

Em Hamburgo, grupos ergueram barricadas em chamas e atacaram agentes com pedras, garrafas e fogos de artifício. Cerca de 120 pessoas foram detidas temporariamente, e 1.300 policiais foram mobilizados. A polícia afirmou que os grupos violentos se misturaram a manifestantes pacíficos para provocar e cometer crimes.

Em Colônia, o ato foi encerrado por volta das 16h, depois que parte dos participantes cobriu o rosto e passou a soltar fogos. A polícia usou canhão d'água; um agente teve a mão machucada e precisou deixar o serviço. Vários inquéritos foram abertos.

A leitura do governo federal

O ministro federal do Interior, Alexander Dobrindt, disse esperar "penas severas" e afirmou que os responsáveis serão identificados. Ele atribuiu a violência a grupos de extrema esquerda agindo ao lado de "agitadores de origem imigrante" — sem apresentar provas nem nomear as organizações, segundo a emissora australiana ABC. Dobrindt também disse que os controles de fronteira foram reforçados, sob o argumento de que grupos extremistas de fora poderiam se aproveitar dos protestos.

A atribuição da violência à origem dos manifestantes é o ponto em disputa: Poseck afirmou que a maior parte dos detidos é alemã e, ao mesmo tempo, descreveu os envolvidos como "predominantemente de origem imigrante", apoiado em avaliação policial. Nenhum dos dois apresentou dados consolidados sobre o perfil dos presos.

Um mês de protestos juvenis na Europa

A onda alemã vem na esteira de mobilizações semelhantes em outros países europeus. Na França, os protestos chegaram ao terceiro fim de semana consecutivo, em caráter sobretudo pacífico, depois dos atos de 17 de outubro que acabaram com saques e danos a lojas e prédios públicos. Em Berlim, parte da marcha de sábado foi convocada em solidariedade aos manifestantes franceses.

Com informações de Euronews, ABC News (Austrália), Reuters e ANI.