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Política

Melania Trump reúne autoridades da Rússia e da Ucrânia na Casa Branca, dias depois de expirar a trégua que ela costurou

O enviado especial de Putin e dois parlamentares ucranianos estiveram no Grande Saguão na quinta-feira para marcar uma trégua de seis dias em Oleshky, que retirou quase 800 pessoas — e que terminou no domingo sem renovação.

Por Redação RecortNews
A primeira-dama Melania Trump em seu retrato oficial da Casa Branca, divulgado em janeiro de 2025.
A primeira-dama Melania Trump em seu retrato oficial da Casa Branca, divulgado em janeiro de 2025.Foto: Régine Mahaux/Wikimedia Commons, domínio público

Representantes da Rússia e da Ucrânia estiveram na mesma sala da Casa Branca na quinta-feira, algo que não aconteceu muitas vezes em quatro anos e meio de guerra. Quem os colocou lá foi a primeira-dama.

Melania Trump convocou o encontro no Grande Saguão em 5 de novembro para marcar o cessar-fogo em Oleshky, cidade ocupada pela Rússia na região ucraniana de Kherson. Kirill Dmitriev, enviado especial do presidente Vladimir Putin, e Yana Lantratova, comissária de direitos humanos da Rússia, representaram Moscou. David Arakhamia, líder do partido Servo do Povo no Parlamento ucraniano, e Dmytro Lubinets, comissário de direitos humanos do Parlamento, representaram Kiev.

"Juntos, podemos criar algo mais duradouro do que um cessar-fogo temporário", disse ela, pedindo às duas delegações que tratem a trégua de Oleshky como uma centelha em um mundo de escuridão.

Ela descreveu seu próprio papel em termos incomumente concretos: afirmou atuar como "intermediária exclusiva" sob acordos escritos assinados pelos dois governos, e disse ter participado do planejamento até o ponto de revisar planos de desminagem e rotas de evacuação. Entregou ao funcionário mais graduado de cada lado uma carta que escreveu — uma a Putin, outra a Volodymyr Zelensky. A delegação ucraniana lhe entregou a Ordem da Princesa Olga, de primeira classe, concedida por Zelensky no início da semana.

O que a trégua de Oleshky fez, e o que não fez

Os números são modestos; o precedente, não.

A trégua durou seis dias. Permitiu a entrada de ajuda humanitária em Oleshky e nos arredores e retirou quase 800 pessoas, de um total estimado em 2.000 civis que teriam permanecido na cidade. Foi a mais longa trégua de vários dias entre os dois países desde o início da invasão em larga escala da Rússia, em fevereiro de 2022, e a primeira operação conjunta de socorro em quatro anos e oito meses.

Ela também expirou no domingo, e nenhum dos lados a prorrogou. Um dia depois, um bombardeio russo contra um ponto de distribuição de ajuda em Komyshuvakha, na região de Zaporíjia, matou pelo menos 40 pessoas, segundo Zelensky.

O crédito pela trégua também não está resolvido. A Casa Branca afirma que a primeira-dama a mediou. O papa Leão XIV também pressionou os dois lados a permitir entregas de ajuda e evacuações no mesmo período, e os relatos sobre quem negociou o quê divergem.

Um canal estreito, enquanto o principal trava

O evento se lê melhor contra o que não aconteceu. O governo de seu marido passou boa parte de dois anos tentando, sem sucesso, produzir um cessar-fogo geral. Dentro desse impasse, uma trégua local de seis dias para uma cidade ocupada, negociada pelo gabinete da primeira-dama e construída em torno de acesso humanitário em vez de território, é o único canal que entregou algum resultado.

Se ele vai se alargar está a ponto de ser testado. Negociadores russos e ucranianos são esperados em Abu Dhabi nos dias 10 e 11 de novembro para uma nova rodada de conversas mediadas pelos Estados Unidos.

O calendário também tem uma aresta doméstica. A cerimônia de quinta-feira veio dois dias depois das eleições de meio de mandato que deram aos democratas o controle das duas casas do Congresso americano, resultado que muda a política de ajuda dos Estados Unidos à Ucrânia nos próximos dois anos.

Com informações da Casa Branca e da Al Jazeera, e detalhes adicionais da CTV News.