Os republicanos da Câmara dos Representantes vão escolher um novo líder em 10 de novembro, e o homem que comanda a Casa desde outubro de 2023 não estará na disputa. Mike Johnson avisou sua equipe, em uma ligação na manhã de quarta-feira, 4 de novembro, que não pedirá aos colegas para continuar no topo do partido no próximo Congresso, segundo duas pessoas a par da decisão que falaram à Associated Press.
O anúncio veio menos de 24 horas depois de os republicanos perderem o controle da Câmara e do Senado. Johnson havia dito, antes da eleição, que poderia permanecer na liderança mesmo na minoria. A expectativa agora é que ele atue como deputado comum pelo seu distrito na região de Shreveport, na Louisiana, onde foi reeleito para um oitavo mandato na terça-feira.
Uma revanche de 2023
A sucessão se desenha como repetição da briga que fez de Johnson o presidente da Câmara. O líder da maioria, Steve Scalise, também da Louisiana, e o deputado Jim Jordan, de Ohio, que presidie a Comissão de Justiça, pretendem disputar a liderança da minoria, informou a Fox News. Os dois tentaram a presidência da Casa em 2023, os dois ficaram pelo caminho, e foi justamente a divisão de votos entre eles que transformou Johnson — então um deputado pouco conhecido de quarto mandato — na escolha de consenso.
Os alinhamentos também mudaram pouco. Scalise tem a maior parte do apoio na ala empresarial e de energia da bancada, enquanto Jordan é a preferência da direita mais dura, incluindo integrantes do Freedom Caucus. A eleição interna está marcada para 10 de novembro, e as candidaturas precisam ser declaradas até sexta-feira, segundo o site Axios.
Quem ganhar vai liderar uma minoria. Os democratas devem ficar com algo entre 251 e 268 cadeiras na Câmara, pelas estimativas da CBS News, com dezenas de disputas ainda sem definição na quarta-feira. Eles devem indicar o atual líder da minoria, Hakeem Jeffries, de Nova York, para presidir a Casa, em uma das primeiras votações do novo Congresso, em 3 de janeiro de 2027.
O Senado também troca de mãos
A reorganização não se limita à Câmara. O líder da maioria no Senado, John Thune, perderá o título em janeiro: os democratas devem controlar pelo menos 54 cadeiras depois de virar Texas, Kansas, Ohio, Iowa, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Maine. Duas disputas, no Alasca e no Mississippi, seguiam em contagem.
Isso deixa os republicanos sem seus dois líderes mais graduados no Congresso na mesma semana, e com um presidente cujo partido não controla nenhuma das duas Casas nos dois anos finais do mandato.
Trump fica de fora e aponta a guerra
O presidente Donald Trump disse que pretende "ficar fora" da disputa republicana na Câmara e negou ter pedido a saída de Johnson. Afirmou que ficou "um pouco surpreso" com os resultados e que vai aceitá-los. Perguntado se a guerra com o Irã custou cadeiras ao seu partido, respondeu que isso é "em grande parte verdade", apontando o preço mais alto da gasolina, e acrescentou que, "se eu estivesse na cédula, teríamos ganhado".
O vice-presidente JD Vance foi mais direto: "A razão pela qual perdemos é a guerra." Trump disse que usará o poder de veto contra as novas maiorias democratas e também que trabalhará com os democratas em imigração.
Uma observação sobre o que o calendário significa aqui: a votação de 10 de novembro é feita por eleitos de uma bancada que só toma posse em janeiro, de modo que o novo líder passará quase dois meses como líder em espera, enquanto Johnson ainda tem o martelo na mão.
Com informações da Associated Press, da CBS News, da Fox News e do Axios.




