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Política

Prabowo demite o chefe de gabinete da Presidência da Indonésia, preso por suspeita de ter grampeado o próprio presidente

Listyo Sigit Prabowo, ex-chefe da Polícia Nacional, é um dos três generais apontados como suspeitos; o Palácio fala em ato que tende à traição e os militares puseram 20.980 homens nas ruas de Jacarta

Por Redação RecortNews
Retrato oficial do general Listyo Sigit Prabowo como chefe da Polícia Nacional da Indonésia, divulgado pela corporação em 2024.
Retrato oficial do general Listyo Sigit Prabowo como chefe da Polícia Nacional da Indonésia, divulgado pela corporação em 2024.Foto: Indonesian National Police/Wikimedia Commons, domínio público

O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, assinou nesta quarta-feira (4) o decreto que demitiu o chefe de gabinete da Presidência, o general Listyo Sigit Prabowo — um dia depois de a Polícia Nacional anunciar que ele passou à condição de suspeito em um caso de escutas telefônicas ilegais que teria atingido o próprio presidente.

O anúncio foi feito pelo ministro-secretário de Estado, Prasetyo Hadi, no Palácio Presidencial, em Jacarta. "O presidente tomou uma decisão e assinou um decreto presidencial", disse. Prasetyo explicou a razão sem rodeios: "um dos suspeitos no caso ocupa o posto de chefe de gabinete da Presidência". Para o lugar, em caráter temporário, foi designado o tenente-general Ariyo Windutomo, que chefia a Secretaria Presidencial.

O que a polícia apura

A corporação sustenta que as interceptações ocorreram entre 2025 e 2026, no período em que Listyo comandava a Polícia Nacional — cargo que ocupou por cinco anos antes de assumir o gabinete presidencial, no mês passado. Segundo os investigadores, os grampos foram ordenados sem o procedimento legal exigido.

Os alvos relatados vão muito além do presidente: ministros, políticos, jornalistas, lideranças da sociedade civil e executivos de empresas. No fim de outubro, ainda de acordo com a polícia, os suspeitos mandaram apagar arquivos com as comunicações interceptadas para esconder as provas.

O chefe da Diretoria de Investigação Criminal, Asep Safrudin, afirmou que a operação foi conduzida "sem qualquer base legal ou sem qualquer processo de investigação ou inquérito conforme as leis aplicáveis". O ministro sênior para Assuntos Jurídicos, Yusril Ihza Mahendra, disse que o motivo ainda não foi determinado.

Além de Listyo, foram apontados como suspeitos Ahrie Sonta Nasution, que chefia a divisão jurídica da Polícia Nacional, e Eko Hadi Santoso. Os três foram detidos no domingo, e a polícia só anunciou as detenções na noite de terça-feira. Os crimes em apuração incluem interceptação ilegal de comunicações, acesso não autorizado a sistemas eletrônicos e supressão de dados — alguns deles com pena de até dez anos de prisão. Nenhum dos três se manifestou publicamente.

Palácio fala em traição

O porta-voz presidencial Prasetyo Hadi atribuiu os atos a "certos indivíduos desonestos" e foi além na qualificação: o que foi feito "pode já se enquadrar em uma categoria que pode ser considerada um ato que tende à traição". Ele acrescentou que a conduta tende também a pôr em risco os interesses do Estado e "a segurança do chefe de Estado".

Vale registrar o peso institucional da frase: traição, no vocabulário jurídico indonésio, é acusação de outra ordem que a de abuso de autoridade — e ela parte do palácio, não dos investigadores, que por ora falam apenas dos crimes previstos na legislação de comunicações e dados.

20.980 militares em Jacarta

Em paralelo, as Forças Armadas colocaram mais de 20 mil militares na capital. O assistente de operações da Marinha, vice-almirante Yayan Sofiyan, deu o número exato: 20.980. A primeira fase começou na segunda-feira, com 2.100 integrantes de unidades já sediadas em Jacarta; na quarta-feira chegariam tropas de unidades de fuzileiros e da Marinha, de centros de treinamento e de bases navais em Java e em Lampung. Outros 13.140 estão de prontidão.

As autoridades não confirmaram ligação entre o deslocamento e a investigação, e Sofiyan não explicou a finalidade da operação. O porta-voz das Forças Armadas, major-general Muhammad Nas, tratou o movimento como rotina: "deslocamentos de tropas são uma ocorrência normal", afirmou, descrevendo o procedimento como padrão de segurança nacional.

Com informações da Antara, da Al Jazeera e da Associated Press.