A Petrobras confirmou em 29 de outubro a terceira descoberta de petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas — a cerca de 175 quilômetros do litoral do Amapá, em 2.886 metros de lâmina d'água. Com ela, a estatal encerrou a perfuração e a coleta de dados geológicos no poço que virou o centro do seu programa exploratório na Margem Equatorial.
As três ocorrências saíram do mesmo poço em menos de três meses: a primeira em 14 de agosto, de óleo leve; a segunda em 2 de outubro, em outro intervalo com hidrocarbonetos; a terceira no fim do mês passado. A companhia não divulgou volumes nem estimativas de reservas.
"Nossa persistência técnica permitiu que fossem realizadas três descobertas no mesmo poço", disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Um ano e nove dias de perfuração
O Ibama concedeu a licença para perfurar em 20 de outubro de 2025, e a sonda começou a trabalhar no mesmo dia. O caminho até aqui não foi linear. Em 4 de janeiro de 2026 houve descarga de fluido de perfuração no mar; segundo a Petrobras, a operação foi interrompida e o vazamento contido. Em fevereiro, o Ibama multou a empresa em R$ 2,5 milhões pelo episódio.
Em 17 de agosto, três dias depois da primeira descoberta, a Petrobras pediu ao órgão ambiental autorização para perfurar outros três poços na área — Manga, Crotalus e Morpho Extensão. O Ibama liberou os três em 4 de setembro, junto com a conclusão das operações no Morpho.
O poço fechado não é poço abandonado
A estatal fez questão de separar as duas coisas: o fechamento do Morpho, que no jargão da indústria se chama abandono, é procedimento padrão de segurança depois que os dados são coletados, e não indica desinteresse pela descoberta. A sonda NS-42 deixa agora a Foz do Amazonas e segue para a Bacia Potiguar, no litoral do Rio Grande do Norte, onde vai perfurar na área Mãe de Ouro.
A Petrobras já perfurou mais de 700 poços na Margem Equatorial, a faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte e é geologicamente parecida com a costa oeste africana, onde há produção consolidada. Chambriard disse que a região desperta interesse também do mercado internacional de petróleo, e a empresa trata a busca por novas áreas como estratégia de longo prazo para recompor as reservas brasileiras de óleo e gás.
O resultado chega enquanto a atividade petrolífera na foz do rio Amazonas continua no centro do debate sobre impactos ambientais e sobre as exigências do licenciamento na região.
Com informações da Agência Brasil e do Portal Amazônia.




