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PF prende seis e a Justiça suspende 112 empresas — 96 delas postos — em esquema de R$ 7,6 bilhões no Rio

A oitava fase da Operação Unha e Carne cumpriu 6 prisões preventivas e 16 buscas em sete cidades do estado; entre os presos estão o deputado estadual eleito Márcio Canella e o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim.

Por Redação RecortNews
Agentes da Polícia Federal chegam com malotes de documentos à sede da corporação no Rio de Janeiro, em 2016. A foto é de arquivo e não mostra a operação desta quinta-feira.
Agentes da Polícia Federal chegam com malotes de documentos à sede da corporação no Rio de Janeiro, em 2016. A foto é de arquivo e não mostra a operação desta quinta-feira.Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil/Wikimedia Commons, CC BY 2.0

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (15) a oitava fase da Operação Unha e Carne, dirigida contra uma rede de postos de combustíveis que, segundo as investigações, servia de estrutura de lavagem de dinheiro para uma organização criminosa armada no Rio de Janeiro. Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e dezesseis de busca e apreensão.

As ordens judiciais alcançaram sete municípios: a capital, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Além das prisões e das buscas, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores e suspendeu as atividades econômicas de 112 empresas ligadas ao grupo — 96 delas são postos de combustíveis.

R$ 7,6 bilhões em seis anos

O número que organiza a investigação vem de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf): a rede teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Segundo levantamento citado pela apuração, as comunicações de operações suspeitas somaram 2.171 registros e envolveram 835 pessoas e empresas, com cerca de R$ 310 milhões em depósitos em espécie.

É o ponto que distingue este caso de uma fraude de bomba ou de uma adulteração de combustível. O combustível aqui é o meio, não o fim: um posto é um negócio que recebe dinheiro vivo em volume alto e de forma rotineira, o que permite que recursos de origem ilícita entrem no sistema financeiro sem o salto que um banco normalmente registraria.

Um deputado eleito e um ex-chefe da Polícia Civil entre os presos

Entre os seis presos estão Márcio Canella (União Brasil), deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, e Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro e ex-presidente do Detran-RJ. Para a PF, Canella atuava como articulador político do grupo. Os dois já haviam sido alvos da sexta fase da operação, em julho deste ano.

A investigação descreve pagamentos mensais fixos disfarçados de contratos de consultoria e notas fiscais por serviços aparentemente não prestados — inclusive notas de jardinagem emitidas por empresa sem empregados registrados. A apuração também aponta que funcionários com salários na faixa de R$ 4,8 mil mensais apareciam ligados a movimentações de mais de R$ 100 milhões cada.

Os crimes sob apuração

A PF aponta organização criminosa armada e, conforme a responsabilidade de cada investigado, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel. A corporação afirma que outros crimes podem ser identificados no curso do inquérito, que tem apoio da Corregedoria da Polícia Civil — o grupo investigado incluiria policiais civis.

Nada disso foi julgado. Os fatos seguem sob investigação, não houve condenação e os investigados não tiveram a culpa reconhecida por nenhuma instância.

Com informações da Polícia Federal, da Agência Brasil, da Agência Gov e do jornal O Tempo.