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Brasil

MEC aciona PF e AGU após ameaças e símbolos nazistas em dez universidades federais

Ofícios pedem apuração de autoria e materialidade; entre os casos está o incêndio que destruiu laboratórios da UFPE, com prejuízo estimado em R$ 100 milhões

Por Redação RecortNews
O prédio da Faculdade de Direito da UFPE, no Recife, em abril de 2026. O incêndio de 7 de outubro atingiu outro prédio da universidade, que abrigava laboratórios de pesquisa.
O prédio da Faculdade de Direito da UFPE, no Recife, em abril de 2026. O incêndio de 7 de outubro atingiu outro prédio da universidade, que abrigava laboratórios de pesquisa.Foto: Fronteira/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O Ministério da Educação pediu à Polícia Federal a abertura de investigação sobre ameaças a universidades federais, estudantes e professores registradas nos últimos dias, e à Advocacia-Geral da União as medidas judiciais que o órgão considerar cabíveis. Os pedidos foram feitos por ofício e divulgados na terça-feira (13).

Segundo o ministério, pelo menos dez instituições federais de ensino superior relataram ameaças. Os casos foram registrados em campi da Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Universidade Federal de Jataí (UFJ), Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

O que os ofícios pedem

O MEC afirma que as mensagens incluem ameaça de violência contra estudantes e docentes, ameaça de destruição de patrimônio público e uso de símbolos nazistas contra as instituições e suas comunidades acadêmicas. Nos ofícios, o ministério pede que PF e AGU apurem "a autoria, a materialidade e as circunstâncias das ameaças" e dos atos de violência, e sustenta que eles "buscam intimidar o debate democrático".

O ministério também registra o momento em que os episódios ocorrem: "O contexto sensível do período eleitoral amplia a gravidade desses atos". O segundo turno da eleição presidencial será em 25 de outubro.

O incêndio na UFPE

Entre os episódios citados está o incêndio que atingiu laboratórios da UFPE, no Recife, na noite de 7 de outubro. O fogo destruiu parte de um prédio que abrigava, entre outras estruturas, o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica (Nupit).

A causa não está confirmada. Não há confirmação oficial de que o incêndio tenha sido provocado nem de que esteja ligado às ameaças. A Polícia Federal abriu inquérito e recorreu a robôs e drones porque as condições estruturais impediam a entrada de peritos; o Instituto Nacional de Criminalística também foi acionado. O reitor, Alfredo Gomes, pediu que a PF investigue tanto o incêndio quanto as mensagens. Segundo o SBT News, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que suspeitos de enviar as mensagens já foram ouvidos.

O prejuízo é estimado em cerca de R$ 100 milhões, entre estrutura e equipamentos. Pesquisas sobre câncer, obesidade, covid-19, TDAH e autismo foram afetadas, e cerca de 200 dissertações de mestrado e teses de doutorado estavam em andamento nos laboratórios atingidos, segundo a reitoria.

A resposta do ministério

O MEC anunciou R$ 28 milhões para um novo prédio de aproximadamente 7 mil metros quadrados — mais do que o dobro da área destruída, de cerca de 3 mil metros quadrados. O pacote inclui reposição dos equipamentos científicos, manutenção das bolsas e possibilidade de prorrogação de prazos pela Capes, além de um edital específico do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior.

A obra deve começar cerca de 30 dias depois de concluída a perícia e liberado o local. Enquanto isso, as equipes de segurança da universidade, incluindo as terceirizadas, foram colocadas em alerta.

Com informações da Agência Gov, do Ministério da Educação, do ND Mais e do SBT News.