O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, demitiu na segunda-feira (14) o ministro das Finanças, Purbaya Yudhi Sadewa, exatamente um ano depois de ele assumir o cargo. Para o lugar foi promovido o vice-ministro Suahasil Nazara, economista de carreira na pasta. É o terceiro ministro das Finanças em menos de dois anos na maior economia do Sudeste Asiático, integrante do G20.
O mercado recebeu bem a troca. Após o anúncio, o índice composto da Bolsa de Valores da Indonésia subiu 3,29%, para 6.534,69 pontos, e a rupia se valorizou 0,11%, a Rp 17.656 por dólar, segundo o jornal The Jakarta Post.
Um ano turbulento
Purbaya chegou ao ministério em setembro de 2025 substituindo Sri Mulyani Indrawati, referência de disciplina fiscal para investidores estrangeiros, e adotou uma linha mais expansionista. Uma de suas primeiras medidas foi depositar Rp 200 trilhões em cinco bancos estatais para estimular o crédito. Mais recentemente, tentou obter Rp 120 trilhões (cerca de US$ 7 bilhões) do Danantara, o fundo soberano que controla as estatais, para fechar as contas de 2027.
O período coincidiu com forte desvalorização da rupia e perdas na bolsa. O crescimento ficou abaixo da meta de 6% do governo: 5,39% no quarto trimestre de 2025, 5,61% no primeiro de 2026 e 5,29% no segundo, de acordo com o site Asia Sentinel. A aprovação do ministro, medida pelo instituto SMRC, caiu de 81,2% para 51,1% em um ano.
A briga que derrubou o ministro
Segundo fontes ouvidas pela Reuters e reproduzidas pelo portal AsiaOne, o estopim foi um choque com Djaka Budhi Utama, chefe da alfândega e ex-integrante da tropa de forças especiais comandada por Prabowo no Exército. Djaka e o diretor da Receita, Bimo Wijayanto, se opuseram a um remanejamento de centenas de servidores das áreas de tributos e aduana feito sem acordo prévio. Djaka levou a queixa ao presidente na sexta-feira (11); na segunda, Purbaya estava fora.
O que muda
Suahasil, de 55 anos, está no ministério desde 2009: chefiou a Agência de Política Fiscal entre 2015 e 2019 e era vice-ministro desde então, inclusive na gestão de Sri Mulyani. Ao assumir, disse que o Orçamento "precisa ser saudável" e "crível", segundo o Jakarta Post.
O primeiro teste é o projeto de Orçamento de 2027, ainda em tramitação no Parlamento, que prevê déficit de 2,85% do PIB (Rp 734,3 trilhões). A lei indonésia limita o déficit a 3% do PIB — uma margem estreita que ajuda a explicar por que o mercado reagiu à saída de um ministro visto como disposto a gastar mais.
Com informações de The Jakarta Post (via Asia News Network), Reuters (via AsiaOne) e Asia Sentinel.


