O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, aprovou o empréstimo temporário, por sete meses, de um Active Denial System — a arma de energia dirigida que os militares americanos chamam de "raio de calor" — ao Department of Homeland Security (DHS, o departamento de segurança interna), que poderá testá-la para possível uso na fronteira entre Estados Unidos e México.
Hegseth assinou o memorando em setembro, e a CNN obteve e publicou o documento na quarta-feira, 21 de outubro de 2026. O empréstimo corre por sete meses a partir de setembro. O texto deixa inteiramente com o DHS a responsabilidade de operar o sistema e de redigir as táticas, as técnicas e os procedimentos que vão reger o uso. Autorizar o teste não é decidir o emprego: não está claro se a agência vai levar a arma para a fronteira.
O que a arma faz
O Active Denial System dispara um feixe invisível de energia em ondas milimétricas a até cerca de 1.000 metros. O feixe atravessa roupa grossa, mas não paredes, e aquece apenas a camada mais externa da pele, produzindo uma sensação de queimadura que autoridades comparam à de abrir um forno quente. A sensação cessa quando a pessoa sai do feixe, embora o formigamento ou a sensibilidade possam durar de 10 a 15 minutos.
O Pentágono classifica o sistema como não letal. Um texto de 2008 da revista Military Trader descreveu o feixe como capaz de elevar a temperatura das moléculas de água da pele a cerca de 130 °F (perto de 54 °C) sem queimá-la, comparando a sensação à de uma lâmpada quente encostada na pele. A história do programa registra duas lesões: um acidente de laboratório em 1999, que deixou uma bolha, e um exercício de treinamento em 2007, no qual um militar da força aérea foi superexposto e depois se recuperou por completo.
Não é a primeira tentativa
A arma já havia sido proposta para a fronteira e recusada. Foi ao Afeganistão com as forças americanas em 2010 e voltou sem ter sido usada em combate. Autoridades consideraram empregá-la em cidades americanas durante os protestos de 2020. Em 2018, responsáveis da Border Patrol (a patrulha de fronteira americana) estudaram usá-la contra migrantes, e a então secretária de segurança interna, Kirstjen Nielsen, rejeitou a ideia. Uma versão comercial menor, o Silent Guardian, da Raytheon, foi instalada no centro de detenção Pitchess, no condado de Los Angeles, em 2014.
O que dizem autoridades e críticos
Um porta-voz da Customs and Border Protection (CBP, a agência americana de alfândega e proteção de fronteira) disse que a agência avalia continuamente novas tecnologias que possam salvar vidas e melhorar sua eficácia operacional e sua segurança. Patrick Weaver, subchefe de gabinete de Hegseth, descreveu a fronteira como uma instalação militar e um "laboratório de combate" para sistemas novos, e acrescentou: "A fronteira está blindada!"
As objeções seguem por dois caminhos. O primeiro é operacional. Um ex-funcionário da CBP questionou a legalidade e a segurança de usar uma arma de dor para dispersar multidões ou para atingir quem atravessa a água, onde o reflexo de sair do feixe pode significar afogamento, e perguntou se o custo, o treinamento e o trabalho normativo valem a pena. O segundo é de fundo: um ex-funcionário do DHS disse que o problema de base é tratar migrantes e cidadãos como combatentes inimigos, e que o tratamento desumano costuma ser rejeitado quando fica à vista.
Jared Keller, que escreve o boletim Laser Wars sobre armas de energia dirigida, disse que o sistema levanta questões éticas e legais justamente porque foi projetado para causar dor. "Pessoalmente, eu simplesmente não faria isso", afirmou.
Com informações da Axios e do relato do memorando feito pela CNN, divulgado pelo Yahoo News.




