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Brasil

Anvisa registra o Emrelis para câncer de pulmão avançado, com resposta em 34,5% dos pacientes de alta expressão de c-Met

A Resolução-RE 4.078, de 16 de outubro, também liberou o Poherdy, à base de pertuzumabe, para câncer de mama HER2-positivo metastático e em estágio inicial

Por Redação RecortNews
Paciente recebe quimioterapia por um cateter implantado no tórax, em imagem de arquivo do National Cancer Institute, dos Estados Unidos.
Paciente recebe quimioterapia por um cateter implantado no tórax, em imagem de arquivo do National Cancer Institute, dos Estados Unidos.Foto: Rhoda Baer/National Cancer Institute, via Wikimedia Commons, domínio público

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou o Emrelis, de princípio ativo telisotuzumabe vedotina, para o tratamento de câncer de pulmão avançado. A decisão está na Resolução-RE 4.078, de 16 de outubro, e foi divulgada pela agência no dia 20.

Para quem o medicamento é indicado

A indicação é restrita e tem três filtros. O Emrelis vale para pacientes adultos com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) do tipo não escamoso, localmente avançado ou metastático, com receptor EGFR do tipo selvagem e alta superexpressão da proteína c-Met — e que já tenham recebido terapia sistêmica anterior.

O medicamento é um conjugado anticorpo-fármaco: a molécula se liga à proteína c-Met na superfície da célula tumoral e libera, dentro dela, o agente citotóxico monometil auristatina E (MMAE).

Segundo a Anvisa, o grupo atendido tem poucas alternativas. "Após a quimioterapia e imunoterapia, há uma limitada disponibilidade de terapias", registrou a agência.

O que o estudo mostrou — e o que ele não mostra

A aprovação se sustenta no LUMINOSITY (M14-239), um estudo de fase 2 com pacientes de CPCNP previamente tratados. A taxa de resposta objetiva — a proporção de pacientes cujo tumor encolheu de forma mensurável — foi de 29,2% na população avaliada como um todo e de 34,5% entre os pacientes com alta superexpressão de c-Met.

Há um limite nesses números que convém explicitar: o LUMINOSITY é um estudo de braço único, sem grupo de comparação. Ele mede quantos tumores responderam ao medicamento, mas não permite afirmar que o Emrelis prolonga a vida mais do que os tratamentos já disponíveis para o mesmo perfil de paciente.

Um segundo registro, para câncer de mama

No mesmo anúncio, a Anvisa informou a aprovação do Poherdy, à base de pertuzumabe, para câncer de mama HER2-positivo, em três situações:

  • Doença metastática ou localmente recorrente irressecável, em combinação com trastuzumabe e docetaxel, para pacientes que não receberam terapia anti-HER2 ou quimioterapia anteriormente nesse cenário;
  • Antes da cirurgia (neoadjuvante), com trastuzumabe e quimioterapia, em casos localmente avançados, inflamatórios ou em estágio inicial com alto risco de recorrência — tumores acima de 2 cm ou com linfonodos comprometidos;
  • Depois da cirurgia (adjuvante), com trastuzumabe e quimioterapia, em doença inicial de alto risco de recorrência.

Registro não é oferta no SUS

O registro na Anvisa autoriza a venda do medicamento no país e atesta qualidade, segurança e eficácia para a indicação aprovada. Ele não coloca o produto no Sistema Único de Saúde: a incorporação à rede pública depende de análise própria, com avaliação de custo-efetividade, e tampouco obriga automaticamente a cobertura pelos planos de saúde.

O câncer de pulmão é um dos de maior letalidade no Brasil, em boa parte porque o diagnóstico costuma chegar quando a doença já está avançada — exatamente o cenário das duas aprovações.

Com informações da Anvisa, da Agência Brasil e do portal Sou Brasília.