O Irã recebe nesta segunda-feira (26), em Teerã, uma delegação incomum: o ministro da Defesa da Arábia Saudita, o chefe do Exército do Paquistão e o chefe da inteligência da Turquia, reunidos de uma só vez com autoridades iranianas para falar de segurança regional.
O anúncio foi feito pelo vice-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Bagheri Kani, em entrevista à televisão estatal. "Conforme acordado, o ministro da Defesa saudita, Khalid bin Salman, e o chefe do Exército paquistanês, general Asim Munir" participarão do encontro, disse ele. A delegação turca é encabeçada pelo chefe da inteligência, İbrahim Kalın.
Quem senta à mesa
Os três visitantes representam o Acordo de Defesa Conjunta de Meca. Do lado iraniano, participam o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, e, segundo a diplomacia saudita, também o presidente Masoud Pezeshkian.
O vice-ministro saudita de Diplomacia Pública, Rayed Krimly, confirmou em publicação na rede X que Khalid bin Salman lidera a delegação de seu país. Ele descreveu a viagem como parte do esforço continuado dos países do Acordo de Meca "pela desescalada" e disse que o objetivo é "promover o diálogo e soluções diplomáticas", em apoio à mediação conduzida pelo Catar e pelo Paquistão.
O que está na pauta
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, indicou três temas: as políticas expansionistas de Israel, a situação no Líbano e a guerra que os Estados Unidos mantêm contra o Irã. Segundo a agência France-Presse, a região vive em conflito desde o fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o país.
Bagheri Kani acusou Washington e Tel Aviv de corroer a estabilidade regional e argumentou que a experiência iraniana na construção de suas capacidades de defesa pode servir a um sistema de segurança sem intervenção estrangeira — a tese que o Irã leva à mesa e que, na prática, pede aos vizinhos que organizem a segurança do Golfo sem os Estados Unidos.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, havia advertido no domingo (25) contra novos ataques militares americanos e afirmado que o Irã manterá suas políticas de qualquer forma, com apelo à cooperação regional sem interferência externa.
O cerco diplomático
A reunião desta segunda não é isolada. Uma delegação do Catar chegou a Teerã na noite de domingo com o objetivo de evitar nova escalada, e o temor que move esse movimento é concreto: o de que Estados Unidos e Israel voltem a atacar o Irã e ampliem o conflito.
Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita enfrenta a intensificação dos combates com os houthis do Iêmen, que seguem lançando mísseis contra o território saudita — o que ajuda a explicar por que Riad aparece agora como fiadora de uma conversa com Teerã, e não como parte de um bloco contra ela.
Com informações do The New Arab, do Turkish Minute e da France-Presse.




