A polícia da Catalunha prendeu 128 pessoas depois da noite de sábado em que grupos de jovens saquearam lojas e incendiaram lixeiras no centro de Barcelona. Catorze agentes dos Mossos d'Esquadra ficaram feridos, quatro deles em estado grave.
O número foi dado pela comissária-chefe dos Mossos, Sílvia Cata, em entrevista à Catalunya Ràdio e publicado neste domingo pelo The Olive Press, que informa que dezenas dos detidos são menores de idade. No primeiro balanço da madrugada, a Euronews havia falado em cerca de 100 detidos, um quarto deles menores, segundo as autoridades.
Como a noite começou
A concentração foi convocada pelas redes sociais sob o nome "Instituts Indignats", uma tentativa explícita de trazer para Barcelona o movimento estudantil francês "Lycéens Indignés". Os Mossos d'Esquadra afirmam que o ato não estava autorizado porque não houve comunicação prévia.
Os primeiros tumultos começaram por volta das 18h de sábado, nos arredores da Praça da Catalunha. No pico, cerca de 600 pessoas estavam no local, segundo a imprensa espanhola citada pela Euronews. Grupos vestidos de preto e com o rosto coberto começaram quebrando mobiliário urbano; quando a polícia de choque avançou, os confrontos se espalharam pelas ruas vizinhas. Houve pedras e objetos pesados atirados contra os agentes e barricadas montadas com contêineres de lixo, lixeiras e motos, algumas das quais os manifestantes tentaram incendiar.
O prejuízo
Catorze lojas foram depredadas e saqueadas — entre elas de eletrônicos, roupas, calçados e ótica — e houve pelo menos 20 focos de incêndio no centro da cidade, de acordo com o The Olive Press. O número de estabelecimentos saqueados foi publicado primeiro pelo La Vanguardia. Motos, bicicletas e abrigos de ônibus foram danificados, muitos comércios fecharam as portas, a Guàrdia Urbana restringiu o acesso à praça e a circulação de trens na estação de Plaça Catalunya foi interrompida por um período.
Os manifestantes citaram o preço da moradia, o custo de vida, a educação e a percepção de que os governos não respondem a problemas cotidianos, segundo o diário Ara. As autoridades fizeram questão de separar os tumultos do acampamento pelo direito à moradia que está instalado na Praça da Catalunha há semanas.
O que dizem as autoridades
O prefeito de Barcelona, Jaume Collboni, condenou os episódios, anunciou que a prefeitura vai se habilitar como parte nos processos judiciais e disse que "não vamos permitir que o que aconteceu fique impune". À Euronews, ele afirmou que "isto não vai ficar assim" e que a cidade iria "até o fim", mencionando possíveis consequências para pais e responsáveis dos menores envolvidos.
"A violência não tem lugar na Catalunha. Nunca", declarou o presidente da Generalitat, Salvador Illa, que defendeu a atuação policial e lembrou que protestar é um direito democrático, mas que a violência não se justifica. A conselheira do Interior, Núria Parlon, classificou o ocorrido como "violência gratuita e vandalismo" praticada por grupos que não defendiam nenhuma causa legítima.
Um fim de semana de protestos na Europa
Os tumultos em Barcelona acontecem no mesmo fim de semana em que os protestos contra a alta do custo de vida se espalharam pela Europa. Na França, as manifestações de sábado terminaram com quase mil detidos, e a Itália mobilizou militares depois de atos violentos em várias cidades, segundo a Euronews. Em Tirana, na Albânia, também houve confrontos com a polícia.
Com informações de Euronews, The Olive Press e Ara.




