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Chanceler chileno pede para "não ficar prisioneiro do passado" e põe prazos na agenda com a Bolívia

Francisco Pérez Mackenna escreveu que "a Bolívia é futuro" uma semana depois da visita de José Antonio Kast a La Paz, a primeira de um presidente chileno em território boliviano em 71 anos.

Por Redação RecortNews
O Palacio Quemado, sede do governo da Bolívia, na praça Murillo, em La Paz, em 2025.
O Palacio Quemado, sede do governo da Bolívia, na praça Murillo, em La Paz, em 2025.Foto: P. Hughes/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

"A Bolívia é futuro"

Foi com essa frase que o chanceler chileno, Francisco Pérez Mackenna, encerrou um artigo publicado na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, no jornal El Mercurio, de Santiago, e reproduzido no dia seguinte pela imprensa boliviana. O texto saiu uma semana depois da viagem do presidente José Antonio Kast a La Paz e propõe sair do gesto diplomático para uma lista de tarefas com data.

"A confiança não se decreta: constrói-se com resultados", escreveu o ministro, segundo os veículos bolivianos que reproduziram o artigo. Os pontos da agenda, acrescentou, precisam gerar "prazos e resultados verificáveis".

Uma visita que rompeu 71 anos

Kast se reuniu em La Paz na sexta-feira, 16 de outubro, com o presidente boliviano Rodrigo Paz Pereira. Foi a primeira vez em 71 anos que um presidente chileno foi recebido oficialmente em território boliviano. "Hoje deixamos de dar as costas um para o outro", disse Kast na ocasião, na frase que Pérez Mackenna retoma como ponto de partida do artigo.

A aproximação não começou ali. Em abril de 2026 houve um encontro na passagem de fronteira de Chungará–Tambo Quemado, com o então chanceler boliviano Fernando Aramayo — hoje ministro da Presidência —, seguido de uma reunião bilateral em La Paz.

A agenda, ponto por ponto

A lista descrita pelo chanceler chileno inclui:

  • modernizar o Acordo de Complementação Econômica 22 (ACE 22), em vigor desde 1993;
  • conectar a Bolívia ao cabo submarino Humboldt, com uma eventual interconexão elétrica;
  • cooperação na mineração;
  • coordenação consular e migratória;
  • reverter o sentido do oleoduto Sica Sica–Arica;
  • convocar o Grupo de Livre Trânsito;
  • trabalho conjunto em segurança, com o narcotráfico, o contrabando, o roubo de veículos e o tráfico de pessoas entre os problemas apontados.

A complementaridade que o ministro descreve é econômica antes de ser simbólica: a Bolívia entra com fronteira agrícola e recursos minerais; o Chile, com experiência logística, portos e saída para os mercados do Pacífico. As regiões chilenas que ele menciona como beneficiárias são Arica y Parinacota, Tarapacá e Antofagasta.

O peso de 1978

O artigo não desvia do histórico: cita a ruptura de relações de 1978, a agenda de 13 pontos de 2006 e os anos de litígio na Corte Internacional de Justiça. O passado não pode ser ignorado nem reescrito, sustenta o chanceler, mas "nenhum país pode ficar prisioneiro de seu passado". Desde 1978 os dois Estados mantêm apenas relações consulares, e nenhum dos dois governos anunciou até agora uma troca de embaixadores.

O próximo passo previsto é uma viagem do presidente Paz ao Chile, marcada para 2027.

Com informações do Los Tiempos e do Urgente.bo, que reproduziram o artigo do chanceler no El Mercurio.