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Comissão da ONU afirma que o cessar-fogo não interrompeu os atos genocidas em Gaza, e Israel nega

Relatório divulgado nesta segunda diz que as forças israelenses passaram a controlar ao menos 60% do território, contra 53% em outubro de 2025, e contabiliza 196 palestinos mortos na linha de avanço

Por Redação RecortNews
O Palácio das Nações, em Genebra, em outubro de 2014. É a sede europeia da ONU, onde funcionam o Conselho de Direitos Humanos e as comissões de inquérito que ele cria.
O Palácio das Nações, em Genebra, em outubro de 2014. É a sede europeia da ONU, onde funcionam o Conselho de Direitos Humanos e as comissões de inquérito que ele cria.Foto: Vassil/Wikimedia Commons, CC0

A Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado, criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, divulgou nesta segunda-feira (26) um relatório que afirma que o cessar-fogo assinado em outubro de 2025 não interrompeu o que ela classifica como genocídio em Gaza.

Segundo o texto citado pela agência Associated Press, Israel segue "cometendo atos genocidas com a intenção genocida de destruir, no todo ou em parte, os palestinos em Gaza". Israel nega as conclusões do relatório e, até a publicação, não havia respondido ao documento.

Os números do relatório

A comissão afirma que, desde a assinatura do cessar-fogo intermediado pelos Estados Unidos, as forças israelenses ampliaram o controle territorial em Gaza de 53% para ao menos 60%.

Na linha de avanço, o relatório contabiliza 196 palestinos mortos por tiros israelenses — entre eles 18 mulheres, 32 meninos e 11 meninas.

O documento também acusa Israel e suas forças de segurança de crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Gaza e na Cisjordânia, entre eles extermínio, tortura, estupro, outras formas de violência sexual e perseguição de civis.

Em relação a detentos, a comissão diz ter documentado seis casos de violência sexual praticada por guardas israelenses contra homens de Gaza presos no centro militar de Sde Teiman. A Associated Press afirma que não conseguiu corroborar de forma independente os relatos mais graves descritos no relatório. A comissão examinou ainda sete episódios ocorridos entre novembro de 2023 e junho de 2026 em que forças israelenses feriram palestinos — frequentemente crianças — que, segundo o documento, não representavam ameaça.

O que o documento pode produzir

A comissão de inquérito não julga nem pune: ela apura e publica. O peso prático de um relatório como este está em outro lugar — as constatações podem ser usadas por procuradores do Tribunal Penal Internacional ou por tribunais de outras jurisdições que reivindiquem competência sobre os crimes descritos.

É o segundo ano consecutivo em que a comissão chega à conclusão de genocídio. Em maio deste ano, em apresentação separada no Palácio das Nações, o chefe do escritório da ONU para direitos humanos no território palestino ocupado, Ajith Sunghay, já havia afirmado que, apesar do cessar-fogo, mortes e destruição de infraestrutura continuavam quase diariamente em Gaza, e que não havia "nenhuma responsabilização significativa" pelas violações anteriores.

O contexto

O conflito começou com os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que mataram cerca de 1.200 pessoas em Israel e resultaram na captura de 251 reféns. Desde então, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, a campanha militar israelense matou mais de 74 mil palestinos.

Com informações da Associated Press, do The New Arab e do Escritório da ONU para os Direitos Humanos.