O prédio administrativo da Saudi Aramco em Dhahran, no leste da Arábia Saudita, foi atingido entre a noite de terça-feira, 13, e a manhã desta quarta-feira, 14, por ataques atribuídos aos houthis, o movimento iemenita alinhado ao Irã. A empresa registrou um incêndio descrito pelas autoridades sauditas como limitado. Não houve informação de efeito sobre a produção ou as exportações da petroleira.
Dhahran não é um alvo qualquer: é ali que fica o centro nervoso da maior exportadora de petróleo do mundo, com os edifícios de administração, engenharia e exploração reunidos num mesmo complexo.
O que a defesa aérea saudita informou
O porta-voz da Coalizão para Restaurar a Legitimidade no Iêmen, o major-general Turki Al-Malki, afirmou que um míssil balístico dirigido a Dhahran foi interceptado e destruído. A coalizão disse ainda ter interceptado mísseis lançados contra Riad e contra o sul do país.
Em Riad, estilhaços de mísseis abatidos feriram quatro pessoas. Os ataques desta semana vêm na esteira de dois bombardeios letais contra o aeroporto internacional da capital no fim de semana — o terminal chegou a passar três dias fechado, com quase metade dos voos sauditas cancelados.
Horas antes do ataque a Dhahran, o ministro da Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, havia afirmado que o fornecimento de energia do reino segue resiliente e chamou Riad de "capital da segurança energética".
Dois navios atacados perto de Ormuz
No mesmo intervalo, dois navios foram atacados nas imediações do Estreito de Ormuz — um dentro do próprio estreito e outro na costa de Omã. Segundo a agência Argus, um petroleiro Suezmax carregado com óleo iraquiano, que havia zarpado em 8 de outubro, foi atingido por um projétil não identificado e pegou fogo, com dois tripulantes desaparecidos; o segundo, um navio de produtos, foi alvo de um drone, ataque registrado pelo serviço britânico de monitoramento marítimo UKMTO.
A autoria não foi confirmada. A Reuters relatou que o Irã estaria empregando novas táticas contra a navegação na região. A Marinha da Guarda Revolucionária iraniana advertiu que embarcações que desliguem os sistemas de navegação e identificação ao cruzar o estreito serão tratadas como hostis e "enfrentadas com severidade e determinação". O Ministério das Relações Exteriores da Índia pediu desescalada e afirmou que os ataques a navios comerciais e a marinheiros precisam cessar.
O que os preços fizeram
Na abertura europeia desta quarta-feira, os contratos futuros do Brent subiam 0,5%, a US$ 106,24 o barril, e os do WTI avançavam 0,5%, a US$ 94,64. Na Europa, o gás de referência holandês TTF era negociado pouco acima de € 86 por megawatt-hora, perto da máxima de quatro anos registrada pouco antes, de € 87,44.
A reação contida dos preços a um ataque na sede da Aramco diz algo sobre o momento: o prêmio de risco geopolítico já está em boa parte embutido na cotação. O Brent operava acima de US$ 103 desde o domingo, e cada novo episódio acrescenta menos do que acrescentaria num mercado calmo.
Com informações da Reuters, da Associated Press, da Euronews, da Argus e do Oilprice.com.




