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Economia

Audi vai construir sua primeira fábrica nos Estados Unidos na Geórgia, um projeto de cerca de US$ 4 bilhões e 4.500 empregos

Trump anunciou o acordo em um comício em Perry com o presidente-executivo da Audi ao lado e disse que a obra pode começar no mês que vem; o cronograma divulgado no estado prevê produção plena só em 2031.

Por Redação RecortNews
A placa da sede da Audi AG, na Auto-Union-Straße, em Ingolstadt, na Alemanha, em abril de 2026.
A placa da sede da Audi AG, na Auto-Union-Straße, em Ingolstadt, na Alemanha, em abril de 2026.Foto: User:Mattes/Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

A Audi vai construir sua primeira fábrica nos Estados Unidos no centro do estado da Geórgia, um projeto que autoridades estaduais e municipais estimam em cerca de US$ 4 bilhões e aproximadamente 4.500 empregos. O presidente Donald Trump anunciou o investimento no sábado à noite, 24 de outubro de 2026, em um comício de campanha para as eleições de meio de mandato em Perry, na Geórgia, com o presidente-executivo da Audi, Gernot Döllner, ao seu lado.

Trump falou em US$ 4,2 bilhões e descreveu o terreno como estando "na vizinha Macon, Geórgia". Chamou o aporte de "o maior investimento da história da indústria automobilística americana, da história moderna", e atribuiu parte do mérito ao secretário de Comércio, Howard Lutnick.

Onde a fábrica vai de fato ficar

A fábrica não fica dentro de Macon. Ela vai para o Middle Georgia Megasite (megassítio industrial do centro da Geórgia), um terreno de 1.474 acres — cerca de 596 hectares — no condado de Peach, às margens da rodovia estadual 96, perto da Interstate 75. Fica a alguns quilômetros de Fort Valley e a cerca de meia hora de carro ao sul de Macon.

Esse terreno existe porque três condados passaram quatro anos preparando-o exatamente para isso. A Geórgia comprou cerca de 1.100 acres em meados de 2022, em parceria com a Development Authority of Peach County (autarquia de desenvolvimento do condado), usando recursos da venda de uma área estadual de desenvolvimento econômico no condado de Chatham. Os condados de Bibb, Houston e Peach prometeram US$ 7 milhões cada para divulgar a área e adequá-la aos padrões da indústria, e autoridades dizem que ela pode ser ampliada para cerca de 2.400 acres.

A Audi afirmou ter escolhido a Geórgia pela mão de obra do estado, pela velocidade para entrar em operação, pelo acesso ao consumidor e pela proximidade da cadeia de fornecedores automotivos. O Georgia Quick Start, programa estadual de qualificação profissional, vai montar um treinamento sob medida e um centro de formação dedicado em parceria com unidades do Technical College System of Georgia (rede estadual de faculdades técnicas), com aulas começando antes do fim das obras.

O que vai sair da linha, e quando

A fábrica está prevista para produzir até 200 mil veículos por ano. Döllner disse que ali serão feitos os maiores e mais sofisticados SUVs da marca, voltados ao consumidor norte-americano.

Os dois cronogramas apresentados não combinam. Trump disse que a construção pode começar já no mês que vem. O calendário divulgado no estado é mais lento e mais usual para uma fábrica erguida do zero: terraplenagem a partir de 2027, construção em 2028 e produção plena em 2031.

"Este é um investimento de longo prazo porque acreditamos no mercado americano", disse Döllner, que classificou o acordo como uma "oportunidade fantástica" para a Audi e para os Estados Unidos. Segundo ele, a Geórgia "vai ter um papel central" nos planos americanos da empresa. O presidente da Audi na América do Norte, Vito Paladino, também estava no palco.

O governador Brian Kemp disse que a decisão traz "investimento e empregos verdadeiramente históricos para o centro da Geórgia". Roy Lewis, presidente da comissão do condado de Peach, afirmou que o anúncio "concretiza a visão que tínhamos para o Middle Georgia Megasite". O prefeito de Macon-Bibb, Lester Miller, disse que o impacto "vai ser sentido por muitas décadas". Dan Perdue, presidente da comissão do condado de Houston, creditou o resultado à preparação da região.

A conta das tarifas por trás do anúncio

A Audi é a exceção entre as marcas premium alemãs no mercado americano: a BMW monta carros em Spartanburg, na Carolina do Sul, desde os anos 1990, e a Mercedes-Benz produz no Alabama, enquanto a Audi sempre abasteceu os Estados Unidos só com importados. Seu modelo mais vendido no país, o Q5, é fabricado em San José Chiapa, no México.

Esse arranjo ficou caro sob as tarifas de automóveis do governo Trump, e a cobertura de comércio ao longo de 2026 registrou a Audi avaliando produzir em solo americano e alertando para o custo de embarcar carros até seu segundo maior mercado. Uma fábrica na Geórgia resolve esse problema — em cerca de cinco anos. Até a linha entrar em operação, todo Audi vendido nos Estados Unidos continua chegando como importado.

Trump usou o anúncio para reivindicar um número maior, dizendo ao público de Perry que cerca de US$ 40 bilhões em investimentos no setor automotivo e algo como 30 mil empregos estão a caminho. No mesmo comício, lançou a ideia de um "dividendo Trump" de US$ 5 mil para cidadãos adultos caso os republicanos mantenham as duas casas do Congresso em novembro, e alertou para uma "depressão econômica no estilo de 1929" se os democratas vencerem.

Com informações de Fox Business, WGXA, The Atlanta Journal-Constitution e do anúncio da própria Audi.