O presidente Donald Trump assinou na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, uma proclamação que reescreve a lista de produtos canadenses sujeitos a uma tarifa adicional de 50% sob a Section 338 do Tariff Act of 1930 (a lei tarifária americana de 1930). Alguns itens de madeira, papel e máquinas saem da lista; pisos de madeira engenheirada, fibra de madeira, tapetes, válvulas e tintas entram. As mudanças passam a valer em 30 de outubro de 2026.
O que sai e o que entra
Segundo o veículo setorial Lesprom, saem da lista o compensado fino de madeira de lei de até 6 mm com lâminas externas de bétula, nogueira ou outra madeira de lei; o papelão branqueado revestido de plástico; caixas e cartonagens de papelão ondulado; sacos e sacolas de papel; artigos de pasta moldada; embalagens plásticas; máquinas de refrigeração e de embalagem; e máquinas de classificação de hortifrúti.
Entram no lugar: MDF fino de até 5 mm e chapa dura, molduras de madeira e madeira conífera perfilada, piso de madeira engenheirada multicamada com lâmina externa de até 6 mm, caixas de madeira para embalagem, marcenaria de bambu, espetos de madeira e palitos de sorvete, papel kraft não branqueado, papel de impressão revestido, papelão composto, sacos grandes de papel, papel autoadesivo e etiquetas, piso vinílico, tapetes, válvulas e tintas.
A madeira serrada de conífera fica fora desta lista porque já é alcançada por tarifas aplicadas sob a Section 232 do Trade Expansion Act of 1962 (a lei americana de expansão comercial de 1962).
O comércio em jogo
Nas categorias afetadas, a troca é um pouco maior na entrada do que na saída. Os Estados Unidos importaram US$ 119,4 milhões do compensado fino agora isento do Canadá em 2025, informou a Lesprom, contra US$ 227,5 milhões dos produtos de madeira recém-incluídos — sobretudo pisos, MDF, chapa dura, caixas e molduras.
O escopo total quase não se move. Uma estimativa do Wall Street Journal citada pela Lesprom coloca em cerca de US$ 20 bilhões o valor dos produtos canadenses que seguem sob a tarifa de 50%, perto de 5% das exportações do Canadá aos Estados Unidos. É esse o número que importa: o anúncio soa como alívio para parte dos importadores, mas a exposição total continua praticamente onde estava.
O argumento da Casa Branca
O documento oficial da Casa Branca apresenta a medida como resposta a Ottawa. Diz que o Canadá abandonou um acordo comercial quase fechado e aplicou tarifas de retaliação sobre cerca de US$ 20 bilhões em exportações americanas, e que a Section 338 permite ao presidente alterar uma proclamação anterior quando o interesse público exige. O objetivo declarado é compensar o peso das medidas canadenses sobre o comércio americano e proteger agricultores, indústrias e trabalhadores dos Estados Unidos.
Dois detalhes importam para quem importa. As tarifas valem independentemente de o produto se qualificar para tratamento livre de impostos sob o USMCA, o acordo comercial da América do Norte, e se somam às tarifas da Section 232 em vez de substituí-las.
O mesmo documento lista investimentos que a Casa Branca atribui à sua política comercial, entre eles mais de US$ 6 bilhões da General Motors em produção nos Estados Unidos — US$ 4 bilhões deles na fábrica de Orion Assembly, em Michigan —, uma planta de US$ 2 bilhões da UCB na Geórgia e US$ 21 bilhões do Japão para duas fábricas de chips em Nova York, que serão operadas pela GlobalFoundries. Afirma ainda que a atividade industrial americana cresceu pelo nono mês consecutivo em setembro de 2026.
Com informações da Casa Branca e da Lesprom.




