O barril de petróleo Brent fechou a sexta-feira a US$ 116,72, alta de US$ 3,55 ou 3,14% no dia e o maior valor de fechamento desde 29 de abril. Durante o pregão, a referência internacional chegou a ser negociada acima de US$ 117. O WTI, referência americana, terminou a US$ 103,27, com valorização de cerca de 3,8%.
Na semana, o Brent acumulou alta de aproximadamente 6%. O movimento é quase todo prêmio de risco: não houve interrupção nova confirmada de oferta nesses cinco dias, e sim uma sequência de ataques, ameaças e sinais de que o conflito no Golfo pode escalar.
O que empurrou o preço
Os houthis atacaram alvos em várias partes da Arábia Saudita ao longo da semana, incluindo infraestrutura de energia. Na quinta-feira, 22, a Saudi Aramco ordenou a evacuação de sua sede em Dhahran e pediu que os funcionários trabalhassem de casa — a primeira vez que a empresa toma essa medida desde a retomada da guerra no Iêmen.
No sábado, 24, a coalizão liderada pelos sauditas informou ter interceptado dois mísseis balísticos dirigidos a Taif e Yanbu, além de um míssil contra Riad e um drone abatido na Província Oriental, segundo o porta-voz Turki al-Malki. Mais tarde, a Defesa Civil saudita disse que destroços de dois mísseis interceptados que tinham Meca e Medina como alvo caíram em pontos do oeste do país; o porta-voz houthi Yahya Saree negou ter atacado as cidades sagradas.
Pesa também a expectativa de que os Estados Unidos retomem ataques contra o Irã. O embaixador americano na Turquia, Tom Barrack, disse que Washington poderia atingir o país já neste fim de semana.
Ormuz travado
O Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um terço do petróleo transportado por mar no mundo, continua praticamente parado. Dados do IMF PortWatch, compilados pelo monitor Straits.live, registraram quatro travessias em 18 de outubro, contra uma média de 85 por dia antes da crise. Na noite de sábado, cerca de cem navios visíveis por AIS estavam parados no estreito e na área de observação do Golfo.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que dois superpetroleiros carregando mais de 4,5 milhões de barris de petróleo atingiram minas navais na sexta-feira, ao usar uma rota não autorizada ao sul do estreito; os dois ficaram com as casas de máquinas inutilizadas e foram abandonados pelas tripulações. Nenhuma autoridade marítima confirmou a versão. A Guarda chegou a falar em sete navios atingidos na região; o UKMTO, centro britânico de monitoramento do tráfego marítimo, confirmou dois ataques na semana — entre eles o de um petroleiro alvejado por um projétil não identificado a cerca de sete milhas náuticas a nordeste de Limah, em Omã, no dia 22, que seguiu viagem sem vítimas.
Autoridades iranianas dizem que o estreito não reabre antes de suas condições serem atendidas. O embaixador do Irã em Islamabad, Reza Amiri Moghadam, afirmou no sábado que o país reabriria Ormuz se os Estados Unidos suspendessem o bloqueio. O chefe do estado-maior das Forças Armadas iranianas, Ali Abdollahi, declarou que navios de guerra americanos não serão admitidos no Golfo "sob nenhuma circunstância".
O que os bancos projetam
O analista Andrew Lipow observou que os fluxos físicos que saem do estreito aumentaram nos últimos dias, mas advertiu que a situação "pode mudar a qualquer minuto" — é essa assimetria que sustenta o prêmio no papel mesmo quando o óleo continua embarcando.
As projeções foram revisadas para cima. O HSBC elevou sua estimativa para o Brent em 2026 de US$ 80 para US$ 90 e avalia que um impasse prolongado pode levar o barril a US$ 120. O relatório mensal de outubro da EIA, agência de informação de energia americana, projeta média de US$ 105 para o quarto trimestre. Em visões anteriores, o Goldman Sachs trabalhava com US$ 90 para dezembro e, em setembro, o Morgan Stanley apontava US$ 105 e o UBS US$ 100 para o trimestre — todas abaixo do preço atual.
Na Europa, a alemã EBV, que administra as reservas estratégicas do país, colocou diesel, óleo de aquecimento e petróleo bruto à venda. Na Líbia, uma válvula de oleoduto foi fechada. E, nos Emirados Árabes Unidos, o óleo de um petroleiro atingido perto do estreito chegou às praias de Umm Al Quwain, que seguem fechadas.
Com informações de FinanceFeeds, Gulf News, Oilprice e do monitor Straits.live, com dados do IMF PortWatch.



