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China e Coreia do Norte abrem a ponte do rio Yalu doze anos depois de ela ficar pronta

A travessia de 3,03 km e quatro pistas entre Dandong e Sinuiju custou cerca de US$ 310 milhões à China e esteve concluída do lado chinês desde 2014

Por Redação RecortNews
A Ponte da Amizade Sino-Coreana vista de Dandong, na China, em 2007: aberta em 1943, ela concentra mais de 70% do comércio oficial entre os dois países.
A Ponte da Amizade Sino-Coreana vista de Dandong, na China, em 2007: aberta em 1943, ela concentra mais de 70% do comércio oficial entre os dois países.Foto: Prince Roy/Wikimedia Commons, CC BY 2.0

A China e a Coreia do Norte inauguraram na quinta-feira (15) a Nova Ponte do Rio Yalu, que liga a cidade chinesa de Dandong, na província de Liaoning, à norte-coreana Sinuiju. A travessia estava concluída do lado chinês desde 2014 e passou mais de uma década sem abrir. A agência estatal norte-coreana KCNA noticiou a cerimônia na sexta-feira (16).

São 3,03 quilômetros e quatro pistas, numa obra em que a China investiu cerca de US$ 310 milhões. Os primeiros-ministros Li Qiang, da China, e Pak Thae-song, da Coreia do Norte, discursaram por videoconferência. Os embaixadores Ri Ryong-nam, de Pyongyang em Pequim, e Wang Yajun, de Pequim em Pyongyang, estiveram presentes.

Li chamou a ponte de "novo marco" da "amizade tradicional" entre os dois países e defendeu mais conexões e novas formas de cooperação na faixa de fronteira. Pak disse que a travessia vai "dar novo vigor à cooperação econômica mutuamente benéfica".

Doze anos de obra parada

A ponte foi concluída do lado chinês por volta de 2014, quando se esperava a abertura. Do lado de Sinuiju, nada foi construído: faltaram as estradas de acesso e as instalações aduaneiras norte-coreanas. Não há explicação oficial para a demora. Analistas levantam três hipóteses — a desconfiança de Pyongyang quanto a aumentar sua dependência econômica da China, a irritação com o apoio de Pequim às sanções da ONU ao programa nuclear e de mísseis norte-coreano, e uma divergência entre os dois governos sobre o local da travessia.

A frustração chegou a aparecer na imprensa chinesa: o Global Times já ouviu moradores de Dandong que esperavam um impulso econômico da obra.

O gargalo que a nova ponte tenta resolver

Até agora, a principal ligação entre os dois países era a Ponte da Amizade Sino-Coreana, em operação desde 1943, que recebe trens e veículos mas só permite tráfego em um sentido por vez. Dados chineses indicam que mais de 70% do comércio oficial entre China e Coreia do Norte atravessa ali. O governo sul-coreano conta ao menos 17 ligações rodoviárias e ferroviárias ativas ao longo dos 1.400 quilômetros de fronteira.

O peso da travessia se explica pelo desequilíbrio da relação: cerca de 98% do comércio externo norte-coreano foi feito com a China no ano passado. Analistas esperam que a ponte amplie o fluxo bilateral e melhore a logística com o tempo, embora as sanções internacionais continuem a limitar o alcance econômico da abertura — uma ponte nova não altera o que é permitido transportar por ela.

O contexto diplomático

A inauguração vem depois da cúpula de junho entre Kim Jong-un e Xi Jinping, na qual os dois lados prometeram elevar as relações a um nível estratégico e ampliar os intercâmbios. Cerca de um mês antes, a Coreia do Norte e a Rússia abriram sua própria ponte rodoviária, que autoridades ocidentais associam ao envio de tropas e armamento convencional norte-coreano para a guerra na Ucrânia em troca de ajuda militar e econômica.

Com informações da Al Jazeera e do Korea JoongAng Daily, com base em despachos da KCNA e da Xinhua.