A eleição deste domingo não decidia só a Presidência. Cinco estados e o Distrito Federal voltaram às urnas para escolher governador, depois que nenhum candidato alcançou a maioria absoluta dos votos válidos em 4 de outubro. Nos outros 21 estados, o governo já havia sido definido no primeiro turno.
As seis disputas são estas:
- Acre: Mailza Assis (PP) e Alan Rick (Republicanos)
- Amazonas: Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL)
- Distrito Federal: Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT)
- Espírito Santo: Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB)
- Rio Grande do Norte: Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT)
- Tocantins: Vicentinho Júnior (PSDB) e Professora Dorinha (União Brasil)
A contagem desses votos ficou parada junto com a presidencial. Depois de o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, estender a votação até as 19h em todo o país, o Tribunal Superior Eleitoral suspendeu a totalização — e os painéis alimentados pelo tribunal seguiam marcando 0% das urnas apuradas nas seis corridas estaduais quando a divulgação travou.
O Rio entrou na lista e saiu
Em 4 de outubro, a conta era outra: seis estados e o Distrito Federal iriam ao segundo turno, porque o Rio de Janeiro aparecia entre eles, com Douglas Ruas (PL) à frente de Eduardo Paes (PSD) sem maioria absoluta. Ruas tinha 49,27% dos votos válidos e Paes, 42,76%.
O que mudou a aritmética foi uma decisão sobre registro de candidatura. Em 8 de outubro, o TSE confirmou o indeferimento da candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos), que teve o registro negado por condenação em ação de improbidade administrativa — a defesa sustentava que o prazo de inelegibilidade já estava cumprido. Até então, os 274.411 votos recebidos por ele, 3,17% do total, eram contados como nulos sub judice. Com a decisão, saíram de vez da base de cálculo dos votos válidos.
A retotalização foi feita em 10 de outubro, na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Rio. Sem os votos de Garotinho no denominador, Ruas subiu de 49,27% para 50,88%, e Paes, de 42,76% para 44,16%. A diferença em números absolutos entre os dois não mudou — permaneceu em 564.215 votos —, mas Ruas passou a maioria absoluta por 73.900 votos.
"Desnecessária", disse o tribunal
Em 15 de outubro, o plenário do TRE-RJ homologou por unanimidade a retotalização, e o presidente da corte, desembargador Claudio de Mello Tavares, proclamou eleita no primeiro turno a chapa de Douglas Ruas dos Santos e Fernanda Anchieta Louback. Pela Lei das Eleições, quem obtém a maioria absoluta dos votos válidos — brancos e nulos fora da conta — é eleito sem segundo turno, o que tornou a segunda votação, nas palavras do magistrado, "desnecessária".
Eduardo Paes afirmou que respeitaria o resultado e desistiu de recorrer. Antes disso, sua coligação havia pedido a Zanin, no STF, a suspensão da decisão do TSE; o pedido foi negado porque ainda não havia recurso extraordinário interposto nem exame de admissibilidade. A diplomação dos eleitos no estado está marcada para 18 de dezembro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
É o tipo de episódio que mostra o quanto o percentual de um candidato depende de quem está no denominador: Ruas não ganhou um voto a mais entre 4 e 10 de outubro e, ainda assim, saiu de um segundo turno marcado para a condição de eleito.
Com informações do Tribunal Superior Eleitoral, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, da Agência Brasil, do Poder360 e do ND Mais.




